
Quantos pontos salvam do Z4? O retrato do rebaixamento no Brasileirão desde 2006
Levantamos a tabela completa — não só o rodapé — das 20 temporadas do Brasileirão desde 2006, quando o campeonato estabilizou em 20 clubes. O resultado mais surpreendente não é quem mais caiu: é que nenhum time que nunca caiu passou ileso por todas as temporadas.
"Com quantos pontos eu me salvo?" é a pergunta que toda torcida da parte de baixo da tabela faz a partir de setembro. Levantamos a resposta direto da fonte: a classificação final completa — as 20 posições, não só a zona de rebaixamento — de cada uma das 20 temporadas do Brasileirão desde 2006, ano em que o campeonato estabilizou no formato atual (20 clubes, 38 rodadas, Z4 nas quatro últimas posições).
O levantamento cobre seis ângulos: quantos pontos bastam pra respirar a cada ano, a média de pontos de quem cai em cada uma das quatro posições do Z4, o ranking de quem mais sobe e desce entre as duas divisões, o mesmo ranking agrupado por estado, quem mais flertou com a zona sem cair de fato — e, por último, se existe algum time que nunca chegou perto da degola. A resposta desse último item inverteu a pergunta original.
O método
A fonte primária foi a classificação final de cada uma das 20 temporadas (2006 a 2025) na Wikipédia em português, com a tabela inteira extraída via citação literal — não resumida de cabeça, prática que já produziu número errado em levantamento anterior desta seção. Para o ranking de acessos, somamos também os quatro primeiros colocados da Série B de cada ano. Uma checagem de consistência veio de graça: os quatro promovidos de cada Série B aparecem, em todos os 20 casos, entre os 20 times da Série A do ano seguinte — o tipo de amarração que um erro de digitação ou um ano trocado dificilmente passaria ileso.
Quantos pontos salvam, ano a ano
A zona de rebaixamento é formada pelas quatro últimas posições (17ª a 20ª); quem sobra na 16ª é, por definição, o time com menos pontos entre os que ficam. O gráfico abaixo é a pontuação desse 16º colocado em cada uma das 20 temporadas — na prática, o número mínimo que garantiu a permanência naquele ano.
- 2006: 44pts
- 2007: 45pts
- 2008: 44pts
- 2009: 46pts
- 2010: 42pts
- 2011: 43pts
- 2012: 45pts
- 2013: 45pts
- 2014: 40pts
- 2015: 43pts
- 2016: 45pts
- 2017: 43pts
- 2018: 43pts
- 2019: 39pts
- 2020: 41pts
- 2021: 46pts
- 2022: 41pts
- 2023: 44pts
- 2024: 44pts
- 2025: 44pts
A régua de "quem se salva" oscila bem menos do que se imagina: variou só entre 39 (2019) e 46 pontos (2009 e 2021) em 20 anos — uma banda de 7 pontos. Isso dá um número redondo e útil pra quem acompanha a tabela no meio do ano: 43 pontos, historicamente, é o patamar que deixa um time tranquilo.
O custo de cada posição do Z4
Olhando só pra quem caiu, a distância entre as quatro posições do Z4 não é uniforme — o tombo de pontos acelera conforme desce. Entre o 16º (o último salvo) e o 17º (o primeiro rebaixado), a média de pontos cai menos de dois: às vezes a permanência e a queda se resolvem em uma vitória de diferença. Mas entre o 17º e o 20º, a queda é de mais de 15 pontos — o lanterna médio da série não chega perto de brigar pela permanência, já entra a temporada fadado.
| Posição | Média de pontos (2006-2025) |
|---|---|
| 16º (salvo) | 43,4 |
| 17º | 41,6 |
| 18º | 38,9 |
| 19º | 34,9 |
| 20º (lanterna) | 26,3 |
O elevador do Brasileirão: quem mais sobe e quem mais desce
Sport e Avaí lideram os dois lados ao mesmo tempo: cinco rebaixamentos e cinco acessos cada, desde 2006. Coritiba completa o trio do "elevador" — quatro quedas e cinco subidas. Nenhum dos três ficou mais de quatro temporadas seguidas numa única divisão ao longo do período.
| Time | Rebaixamentos (2006-2025) |
|---|---|
| Sport | 5 |
| Avaí | 5 |
| Vasco da Gama | 4 |
| Coritiba | 4 |
| Goiás | 4 |
| América-MG | 4 |
| Atlético-GO | 4 |
| Ponte Preta | 3 |
| Juventude | 3 |
| Figueirense | 3 |
| Vitória | 3 |
| Ceará | 3 |
| Time | Acessos à Série A (2006-2025) |
|---|---|
| Sport | 5 |
| Coritiba | 5 |
| Avaí | 5 |
| Vitória | 4 |
| Vasco da Gama | 4 |
| Atlético-GO | 4 |
| América-MG | 4 |
| Ceará | 3 |
| Bahia | 3 |
| Goiás | 3 |
| Chapecoense | 3 |
Por estado: de onde vêm os rebaixados
Agrupando os 80 rebaixamentos (20 temporadas × 4 vagas) pelo estado do clube, quem lidera é Santa Catarina — não São Paulo, nem Pernambuco, apesar de ter bem menos clubes tradicionais na Série A. O motivo é concentração: cinco clubes catarinenses (Avaí, Figueirense, Criciúma, Chapecoense e Joinville) somam praticamente todas as quedas do estado, enquanto São Paulo reparte as suas entre nove clubes diferentes.
| Estado | Rebaixamentos (2006-2025) |
|---|---|
| SC | 13 |
| SP | 12 |
| PE | 9 |
| PR | 8 |
| GO | 8 |
| RJ | 6 |
| MG | 6 |
| RS | 5 |
| BA | 5 |
| CE | 5 |
| RN | 1 |
| AL | 1 |
| MT | 1 |
Quem mais flertou com a segurança por baixo
Palmeiras e Vitória dividem o posto de time que mais terminou exatamente no 16º lugar — o último degrau antes do Z4 — com duas vezes cada um desde 2006 (Palmeiras em 2006 e 2014; Vitória em 2016 e 2017). Nenhum outro clube repetiu a posição mais de uma vez na série.
Ninguém escapou ileso
A pergunta original era: existe algum time que nunca ficou perto de cair — com pelo menos 6 pontos de sobra sobre o primeiro rebaixado, em toda temporada que disputou desde 2006? Só seis clubes nunca caíram no período: São Paulo, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG, Red Bull Bragantino e Mirassol. Checando a margem de cada um em toda temporada que jogaram, nenhum dos cinco primeiros passa o teste — todos tiveram pelo menos um ano de sobressalto real.
| Time | Temporada mais apertada | Margem sobre o 1º rebaixado |
|---|---|---|
| Fluminense | 2008 | 1 ponto |
| Flamengo | 2010 | 2 pontos |
| Red Bull Bragantino | 2024 | 2 pontos |
| Atlético-MG | 2008 | 4 pontos |
| São Paulo | 2021 | 5 pontos |
Fluminense em 2008 é o caso mais extremo: terminou em 14º com 45 pontos, só um a mais que Figueirense, o 17º colocado — um clube grande andando rigorosamente ao lado do abismo. São Paulo e Flamengo, os dois únicos clubes presentes em todas as 20 temporadas da série, também já tremeram: São Paulo chegou a 13º com só 5 pontos de colchão em 2021, e o Flamengo de 2010, em 14º, teve apenas 2.
Sobra o Mirassol, único dos seis que de fato nunca esteve perto: 4º lugar em 2025, com 24 pontos de sobra sobre o Z4. Mas é uma amostra de uma temporada só — a primeira do clube na Série A. Não dá pra tratar isso como "nunca chega perto" com a mesma força que se aplicaria a um histórico de décadas; é cedo demais pra saber.
O que isso não conta
O levantamento usa a pontuação final oficial de cada temporada, incluindo os casos em que a CBF ou o STJD aplicaram deduções administrativas de pontos (Flamengo e Portuguesa em 2013, Sport em 2018, Grêmio Prudente em 2010, Santa Cruz em 2016) — são parte do resultado oficialmente publicado, não um ajuste nosso. Também não entram vagas de acesso fora do G-4 da Série B, porque não houve esse mecanismo no período. E o corte de 6 pontos pro teste de "nunca ficou perto" foi o critério pedido neste levantamento — com outro número de corte, a lista de sobreviventes poderia mudar.
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