
Golaço de Álvarez na prorrogação: Argentina 3 x 1 Suíça e semifinal contra a Inglaterra
Mac Allister abriu de cabeça após passe de Messi, Ndoye empatou, Embolo foi expulso e a prorrogação virou show argentino: pintura de Julián Álvarez e mais um de Lautaro. Vem aí Argentina x Inglaterra, 40 anos depois de 1986.
A atual campeã do mundo segue viva — e do jeito que as campeãs sobrevivem: sofrendo, esperando e decidindo quando o jogo mais aperta. Em Kansas City, a Argentina bateu a Suíça por 3 a 1 na prorrogação e marcou encontro com a Inglaterra na semifinal da Copa de 2026.
O jogo começou como se fosse ser fácil. Aos 10 minutos, Lionel Messi — aos 39 anos, jogando uma Copa no país onde hoje vive e atua — achou Alexis Mac Allister na área, e o meia do Liverpool subiu para cabecear: 1 a 0. A Argentina controlou, administrou e parecia caminhar para uma classificação tranquila.
Mas aos 67, Ricardo Rodríguez enfiou para Dan Ndoye nas costas da defesa, e o atacante suíço, de ângulo apertado, tocou por baixo de Emiliano Martínez: empate. O Arrowhead Stadium, tomado por camisas albicelestes, ficou em silêncio pela primeira vez na tarde.
A expulsão que mudou tudo
Cinco minutos depois do empate, a Suíça perdeu o jogo dentro do próprio ímpeto: Breel Embolo, já amarelado, recebeu o segundo cartão por simulação ao cair na área procurando um pênalti que não existiu. Com um a menos dos 72 minutos em diante, os suíços trocaram o sonho da virada pela trincheira — e quase chegaram aos pênaltis.
Quase. Aos 112 minutos, Julián Álvarez recebeu na intermediária, ajeitou e acertou um chute de mais de 25 metros no ângulo direito do goleiro: um dos gols mais bonitos da Copa até aqui. No último minuto da prorrogação, Thiago Almada finalizou, o rebote sobrou e Lautaro Martínez deu números finais: 3 a 1.
Freguesia confirmada — de novo na prorrogação
O confronto tem uma rima histórica cruel para os suíços. Na Copa de 2014, no Brasil, Argentina e Suíça se enfrentaram nas oitavas e o 1 a 0 argentino só saiu aos 118 minutos, com Di María. Doze anos depois, de novo a prorrogação, de novo a Argentina — só que desta vez com dois gols no fim.
| Ano | Competição | Resultado |
|---|---|---|
| 1966 | Copa do Mundo — Grupos | Argentina 2x0 Suíça |
| 2014 | Copa do Mundo — Oitavas | Argentina 1x0 Suíça (prorrogação) |
| 2026 | Copa do Mundo — Quartas | Argentina 3x1 Suíça (prorrogação) |
A Argentina nas Copas do Mundo
Campeã em 2022 no Catar, a Argentina defende o título com a espinha dorsal daquela conquista: Emiliano Martínez no gol, Mac Allister no meio, Julián Álvarez e Lautaro no ataque — e Messi, aos 39, distribuindo as assistências que ninguém mais enxerga. A seleção de 2026 briga para ser a primeira a conquistar duas Copas seguidas desde o Brasil de 1958/1962.
| Ano | Fase | Resultado |
|---|---|---|
| 2010 | Quartas | Alemanha 4x0 |
| 2014 | Vice | Alemanha 1x0 (final) |
| 2018 | Oitavas | França 4x3 |
| 2022 | Campeã | França (pênaltis, final) |
| 2026 | Semifinal | Classificada |
A Suíça nas Copas do Mundo
A Suíça sai de cabeça erguida: as quartas de final de 2026 são a sua melhor campanha em Copas desde 1954, quando foi anfitriã do torneio. Depois de três oitavas seguidas (2014, 2018, 2022), a geração de Ndoye e companhia finalmente quebrou a barreira — e só caiu para a atual campeã do mundo, na prorrogação e com um a menos.
| Ano | Fase | Resultado |
|---|---|---|
| 2014 | Oitavas | Argentina 1x0 (prorrogação) |
| 2018 | Oitavas | Suécia 1x0 |
| 2022 | Oitavas | Portugal 6x1 |
| 2026 | Quartas | Argentina 3x1 (prorrogação) |
Os destaques da Argentina
Julián Álvarez (Atlético de Madrid, 26 anos). O golaço aos 112 minutos — de fora da área, no ângulo — foi o momento da partida e candidato a gol mais bonito da Copa. Quando o jogo pedia paciência contra um bloco de dez suíços atrás da bola, Álvarez resolveu com a solução que dispensa espaço: técnica pura.
Alexis Mac Allister (Liverpool, 27 anos). Abriu o placar de cabeça e deu o tom do meio-campo argentino a partida inteira. É o tipo de jogador que não aparece nas manchetes até o dia em que o time precisa — e aí aparece na área, como aos 10 minutos em Kansas City.
Lionel Messi (Inter Miami, 39 anos). A assistência para o gol de Mac Allister foi mais um capítulo da despedida em câmera lenta do maior jogador da história das Copas. Aos 39, Messi já não decide sozinho os 120 minutos — mas segue sendo o jogador que os adversários mais temem quando a bola para no pé dele.
Os destaques da Suíça
Dan Ndoye. O gol do empate, de ângulo quase impossível, coroou a Copa de um dos jogadores mais consistentes da campanha suíça. Enquanto a Suíça teve onze em campo, foi o atacante mais perigoso da partida.
Breel Embolo. O anti-herói. Com o jogo empatado e a Suíça crescendo, caiu na área procurando um pênalti que a arbitragem entendeu como simulação: segundo amarelo e chuveiro aos 72. A Suíça jogou a prorrogação inteira com dez — e o plano de levar a decisão aos pênaltis morreu no chute de Álvarez.
Ficha do jogo
| 1º Tempo | 2º Tempo | Prorrogação | Total | |
|---|---|---|---|---|
| Argentina | 1 | 0 | 2 | 3 |
| Suíça | 0 | 1 | 0 | 1 |
- 10' — Alexis Mac Allister (ARG), de cabeça, assistência de Messi
- 67' — Dan Ndoye (SUI)
- 72' — Breel Embolo (SUI) expulso: segundo amarelo, por simulação
- 112' — Julián Álvarez (ARG), golaço de fora da área
- 120+1' — Lautaro Martínez (ARG), no rebote após chute de Thiago Almada
- Árbitro: João Pinheiro (Portugal)
| Estatística | Argentina | Suíça |
|---|---|---|
| Finalizações | 20 | 10 |
| Gols esperados (xG) | 2,00 | 0,53 |
| Cartões | — | 1 vermelho (Embolo, 2º amarelo) |
Próximo adversário: Inglaterra, 40 anos depois
Na quarta-feira, em Atlanta, a Argentina reencontra a Inglaterra num mata-mata de Copa do Mundo — o duelo que produziu, em 1986, o jogo mais famoso da história do torneio: a Mão de Deus e o Gol do Século de Maradona no Estádio Azteca. É uma rivalidade que atravessa gerações — 1966, 1986, 1998, 2002 — e que agora, com Messi no lugar de Diego e uma vaga na final em jogo, ganha o capítulo de maior peso desde o Azteca. A Inglaterra chega embalada por Bellingham; a Argentina, pela confiança de quem é a atual campeã do mundo e sabe sofrer até o minuto 120 sem perder a cabeça.
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