
A loteria de Vancouver: Suíça vence nos pênaltis e volta às quartas depois de 72 anos
A Colômbia dominou os 120 minutos com xG de 1,03 contra 0,35, acertou a trave e criou mais. Mas Kobel defendeu Cucho, Vargas bateu o quinto e a Suíça chegou ao mata-mata pela primeira vez desde 1954.
Às 22h47 em Vancouver, Ruben Vargas bateu o quinto pênalti da Suíça e a bola entrou no canto esquerdo. Gregor Kobel caiu de joelhos. Granit Xhaka correu para ele com os braços abertos. No banco colombiano, Cucho Hernández — que tinha visto o seu remate ser defendido pelo próprio Kobel duas cobranças antes — ficou imóvel, com as mãos no rosto.
A Colômbia controlou melhor a bola. A Colômbia criou mais oportunidades. A Colômbia produziu um xG de 1,03 contra os 0,35 da Suíça — números que, em qualquer outra tarde, ditariam o vencedor sem discussão. Mas em 120 minutos no BC Place, o gol colombiano não chegou. Davinson Sánchez acertou a trave. Kobel defendeu o que restava.
Depois da sequência de pênaltis — sempre uma loteria — a Suíça avançou às quartas pela primeira vez desde 1954, quando era anfitriã do torneio. 72 anos de espera. Para a Colômbia, o adeus chega com a sensação de que merecia mais. O futebol nem sempre é justo. Os pênaltis, nunca.
O único encontro anterior em Copas
A única vez que Suíça e Colômbia se encontraram numa Copa do Mundo foi em 1994, nos Estados Unidos, pelo Grupo A, em Palo Alto. Foi a partida mais discreta da Colômbia naquele torneio: vitória por 2 a 0 com gols de Adolfo Valencia e Harold Lozano. Os cafeteros — que chegavam com expectativa gigantesca após golear a Argentina por 5 a 0 nas eliminatórias — acabariam eliminados na fase de grupos naquele Mundial marcado pela tragédia de Andrés Escobar.
32 anos depois, os dois voltam a se encontrar. Desta vez nas oitavas. Desta vez sem gol nos 120 minutos. Desta vez com uma sequência de pênaltis a decidir a história.
Histórico de confrontos
| Ano | Competição | Resultado |
|---|---|---|
| 1994 | Copa do Mundo (grupos) | Colômbia 2x0 Suíça |
| 2007 | Amistoso (Miami) | Colômbia 3x1 Suíça |
| 2026 | Copa do Mundo (oitavas) | Suíça 0x0 Colômbia (4-3 pên.) |
A Suíça em Copas do Mundo
A Suíça é uma das seleções mais consistentes da Europa — raramente espetacular, raramente ausente. Seu melhor momento foi em 1954, como anfitriã, quando chegou às quartas antes de cair para a Áustria por 7 a 5, o jogo com mais gols da história das Copas. Desde então, frequentou a segunda semana mas nunca voltou às quartas: caiu nas oitavas em 2006, 2014 e 2018, e em 2022 chegou às oitavas para ser goleada por Portugal (1-6). Em 2026, em Vancouver, chegou onde não chegava há 72 anos — não pelo domínio do jogo, mas pela frieza nos pênaltis e pela figura de Kobel na baliza.
| Ano | Fase | Resultado |
|---|---|---|
| 1954 | Quartas | Áustria 7x5 |
| 2006 | Oitavas | Ucrânia (pên.) |
| 2014 | Oitavas | Argentina 1x0 (prorr.) |
| 2018 | Oitavas | Suécia 1x0 |
| 2022 | Oitavas | Portugal 6x1 |
| 2026 | Quartas | Classificada (pên.) |
A Colômbia em Copas do Mundo
A grande geração colombiana chegou ao ápice em 2014, no Brasil: primeiro lugar no grupo, goleada sobre o Uruguai nas oitavas e a primeira quarta de final da história, eliminada pelo Brasil por 2 a 1 num duelo duro, com James Rodríguez artilheiro do torneio com seis gols. Depois vieram a eliminação nos pênaltis para a Inglaterra em 2018 e a ausência em 2022. O retorno em 2026 era a chance de uma nova geração — Díaz no Bayern, Arias no Fluminense, Lerma no Crystal Palace — repetir o feito. Saem nas oitavas. Mas saem com o xG do lado.
| Ano | Fase | Resultado |
|---|---|---|
| 2014 | Quartas | Brasil 2x1 — melhor campanha |
| 2018 | Oitavas | Inglaterra (pên.) |
| 2022 | Não classificada | — |
| 2026 | Oitavas | Suíça (pên. 3-4) |
Ficha do jogo
| 1º T | 2º T | Prorr. | Total | |
|---|---|---|---|---|
| Suíça | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Colômbia | 0 | 0 | 0 | 0 |
Pênaltis: Suíça 4 x 3 Colômbia.
- Xhaka (SUI) — marcou
- Quintero (COL) — marcou
- Amdouni (SUI) — marcou
- D. Sánchez (COL) — na trave
- Akanji (SUI) — para fora
- Campaz (COL) — marcou
- Itten (SUI) — marcou
- Cucho Hernández (COL) — defendido por Kobel
- Vargas (SUI) — marcou (4-3)
- Luis Díaz (COL) — marcou
| Estatística | Suíça | Colômbia |
|---|---|---|
| Posse de bola | 42% | 44% |
| Finalizações | 7 | 15 |
| Chutes no gol | 2 | 3 |
| Gols esperados (xG) | 0,35 | 1,03 |
| Passes certos | 550 (85%) | 458 (81%) |
| Defesas do goleiro | 3 (Kobel) | 2 |
Os destaques da Suíça
Gregor Kobel (Borussia Dortmund, 28 anos). Durante 120 minutos, defendeu tudo o que precisou defender e fez a Suíça chegar aos pênaltis. Na sequência das cobranças, foi ainda mais importante: com 2-2, mergulhou à direita e defendeu o remate forte de Cucho Hernández. Naquele momento, o destino da Suíça passou para as mãos de um goleiro simplesmente inspirado.
Granit Xhaka (Sunderland, 33 anos). O capitão bateu o primeiro pênalti — o mais difícil, o que define o tom — e colocou no canto sem hesitar. Nos 120 minutos, foi o dique que travou os avanços colombianos: interceptações, coberturas, organização no bloco médio. Não é o tipo de atuação que aparece nas melhores jogadas, mas é o tipo que vence jogos difíceis.
Ruben Vargas (FC Augsburg, 26 anos). O quinto pênalti da Suíça, o que qualificaria os suíços para as quartas pela primeira vez desde 1954. Vargas colocou no canto esquerdo com a precisão de quem treinou o lance mil vezes na cabeça. O nome dele fica escrito nessa história.
Os destaques da Colômbia
Luis Díaz (Bayern de Munique, 29 anos). Foi o jogador mais perigoso da Colômbia nos 120 minutos. Driblou, acelerou, cortou para dentro e criou espaços que não existiam antes da sua chegada à bola. Nos pênaltis, bateu com frieza no canto inferior esquerdo — Kobel foi para o outro lado. A ironia amarga é que o momento decisivo dele nunca chegou durante o jogo em si.
Davinson Sánchez (Galatasaray, 30 anos). Subiu à área adversária num lançamento longo e cabeceou com força — a bola bateu na trave. Foi sólido defensivamente durante toda a partida. Mas nos pênaltis, a segunda cobrança colombiana também bateu na trave dos seus pés. A partir dali, a Colômbia ficou numa sequência que não perdoaria outros erros.
Juan Fernando Quintero (Junior de Barranquilla, 33 anos). Já não é mais o jovem que decidiu a final da Libertadores. Aos 33, é o jogador de toque, o que desacelera quando é preciso e acelera quando o espaço aparece. Bateu o primeiro pênalti colombiano e marcou. Foi o motor silencioso do meio-campo que deu fluência ao ataque cafetero.
Valor de mercado: € 300 milhões contra € 330 milhões
O elenco suíço é avaliado em cerca de € 330 milhões, com Dan Ndoye (Nottingham Forest, 24 anos) como peça mais cara a € 42 milhões. O colombiano tem valor de mercado estimado em cerca de € 300 milhões, mas conta com o jogador mais valioso das duas seleções: Luis Díaz, cotado em € 75 milhões pelo Transfermarkt em 2026. O detalhe simbólico: a Colômbia tinha o melhor jogador individual em campo e ainda assim foi eliminada.
Próximo adversário
Nas quartas de final, a Suíça enfrenta a Argentina — atual campeã do mundo, com Messi buscando o segundo título consecutivo. Um duelo de estilos: a solidez europeia de Xhaka, Akanji e Kobel contra o time que sobreviveu ao Egito no Mercedes-Benz Stadium com três gols em onze minutos. Você acompanha tudo aqui no Guribol.
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