
Júnior: o Capacete que virou maestro, recordista do Flamengo e campeão do mundo
Campeão da Libertadores e do Mundial de 1981, quatro vezes campeão brasileiro, titular da seleção de 1982 e o jogador com mais partidas pelo Flamengo. O perfil de Leovegildo Lins da Gama Júnior, o lateral que virou meia, jogou na Itália, cantou e dominou o futebol de areia.
Leovegildo Lins da Gama Júnior nasceu em João Pessoa, na Paraíba, em 29 de junho de 1954, e virou, para o torcedor do Flamengo, simplesmente o Maestro. Começou como lateral-direito, firmou-se como lateral-esquerdo e terminou a carreira de campo como meia, regendo o time com a calma de quem via o jogo antes de todo mundo. O apelido de Capacete veio do cabelo black power. Este é o perfil de um jogador que ganhou tudo no Flamengo, brilhou na Itália, encantou o Brasil com a música e ainda virou, depois dos 40, o maior nome do futebol de areia.
Os números do Maestro
| Equipe | Período | Gols |
|---|---|---|
| Flamengo | 1974–1984 e 1989–1993 | cerca de 70 |
| Torino (Itália) | 1984–1987 | mais de 10 |
| Pescara (Itália) | 1987–1989 | cerca de 10 |
| Seleção brasileira (74 jogos) | 1979–1992 | 6 |
- 1974: 11 jogos
- 1975: 79 jogos
- 1976: 66 jogos
- 1977: 55 jogos
- 1978: 47 jogos
- 1979: 75 jogos
- 1980: 62 jogos
- 1981: 59 jogos
- 1982: 56 jogos
- 1983: 61 jogos
- 1984: 28 jogos
- 84/85: 32 jogos
- 85/86: 40 jogos
- 86/87: 39 jogos
- 87/88: 35 jogos
- 88/89: 42 jogos
- 1989: 22 jogos
- 1990: 51 jogos
- 1991: 74 jogos
- 1992: 56 jogos
- 1993: 41 jogos
Júnior jogou muito mais do que fez gols, e é por isso que o gráfico é de jogos, não de gols. Ele mostra a regularidade absurda de um jogador que passou de 50 jogos por ano em quase todas as temporadas no Flamengo e manteve o ritmo na Itália. Esse número de jogos faz dele o recordista do clube — a conta exata varia conforme o critério, mas todas colocam Júnior na frente de todos.
Os títulos
| Equipe | Títulos |
|---|---|
| Flamengo | Libertadores 1981, Mundial de 1981, Campeonato Brasileiro 1980, 1982, 1983 e 1992, Copa do Brasil 1990 e Campeonato Carioca 1974, 1978, 1979, 1981 e 1991 |
| Torino | Vice-campeão italiano em 1984–85 |
| Seleção brasileira | Vice-campeão da Copa América 1983 e quinto lugar nas Copas de 1982 e 1986 |
| Futebol de areia | Campeão mundial e da Copa América de beach soccer, entre 1994 e 2000 |
Flamengo: o time que parou o mundo
A geração de Zico, Leandro, Adílio e Júnior ganhou a Libertadores e o Mundial de 1981, três campeonatos brasileiros em quatro anos e fez do Flamengo uma potência nacional. Júnior era o lateral que apoiava como meia, e o time inteiro girava em torno do passe dele. Em carta sobre a alma rubro-negra, o próprio Zico lembra do companheiro com carinho.
"O Júnior, meu amigo, companheiro de tantas alegrias e algumas tristezas."
— Zico, sobre Júnior, em carta ao The Players' Tribune
Itália: o segundo melhor estrangeiro
Em 1984, Júnior foi para o Torino e se reinventou na Itália. Foi eleito o segundo melhor estrangeiro da Serie A, atrás apenas do alemão Lothar Matthäus, e conquistou a torcida a ponto de ser chamado de "papà Júnior", por causa da aparência mais madura. Depois do Torino, jogou no Pescara até 1989, quando voltou ao Flamengo.
O retorno: o título de 1992
De volta ao Rio, já como meia de armação, Júnior viveu o último grande momento no clube, na final do Brasileirão de 1992, contra o Botafogo. Ele marcou nos dois jogos decisivos: o Flamengo venceu o primeiro por 3 a 0 e empatou o segundo por 2 a 2, e levou o quarto título nacional de Júnior.
Pela seleção: a Copa de 1982
Júnior estreou pela seleção em 1979 e foi titular de Telê Santana na Copa de 1982, a do futebol-arte. Fez um dos gols da vitória por 3 a 1 sobre a Argentina, na Espanha, e viu o Brasil cair para a Itália, no Sarriá. Voltou à Copa de 1986, no México, e vestiu a camisa amarela até 1992.
Cantor, comentarista, treinador e rei da areia
Antes da Copa de 1982, Júnior gravou o disco que trazia "Voa, Canarinho", que vendeu mais de 700 mil cópias e rendeu um disco de platina. Depois dos gramados, ele ainda foi treinador do Flamengo, em 1993–94 e em 1997, passou duas semanas no Corinthians, em 2003, e virou comentarista da TV Globo.
Mas foi no futebol de areia que ele ganhou uma segunda carreira de campeão. A partir de 1994, popularizou o beach soccer no Brasil, ganhou mundiais com a seleção e é considerado por muitos especialistas o maior jogador da história da modalidade.
Júnior é, para a Nação rubro-negra, o jogador que reuniu o que o Flamengo tinha de melhor: técnica, regularidade e amor pela camisa. Poucos tiveram uma história tão longa e tão feliz em um só clube.
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