Zico cobra uma falta pelo Flamengo, no Maracanã, em 1981
Lendas

Leandro: o lateral-direito do Flamengo de 81, campeão do mundo e titular em 1982

Campeão da Libertadores e do Mundial de 1981, tricampeão brasileiro e titular da seleção de Telê Santana na Copa de 1982, Leandro jogou 12 anos no Flamengo e encerrou a carreira aos 31, vencido pelos joelhos. O perfil de um dos maiores laterais-direitos da história do futebol brasileiro.

Por Redação Guribol · 23 de outubro de 2026 · 7 min de leitura
Editado por Victor Sismotto

José Leandro de Souza Ferreira nasceu em Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, em 17 de março de 1959, e passou a vida com o coração rubro-negro. Acompanhava o Flamengo pelo rádio com o pai, chegou ao Rio para estudar Educação Física e foi parar na Gávea por um teste sugerido por um primo, num ponto de ônibus em frente ao clube. Virou lateral-direito de seleção, craque da geração de 1981 e, por conta dos joelhos, também uma das carreiras mais curtas dessa turma. Este é o perfil de Leandro, o Peixe-frito.

Os números do lateral

EquipePeríodoJogosGols
Flamengo1978–1990cerca de 41514
Seleção brasileira1981–1986272
Leandro equipe a equipe
20197819197912198056198146198254198347198446198523198641198736198881989121990
  • 1978: 20 jogos
  • 1979: 19 jogos
  • 1980: 12 jogos
  • 1981: 56 jogos
  • 1982: 46 jogos
  • 1983: 54 jogos
  • 1984: 47 jogos
  • 1985: 46 jogos
  • 1986: 23 jogos
  • 1987: 41 jogos
  • 1988: 36 jogos
  • 1989: 8 jogos
  • 1990: 12 jogos
Jogos de Leandro pelo Flamengo por ano, em partidas oficiais registradas

O gráfico é de jogos porque Leandro era lateral, não artilheiro. Ele mostra a ascensão a partir de 1981, a regularidade dos anos de ouro e a queda abrupta nas duas últimas temporadas, quando a artrose nos joelhos o obrigou a parar.

Os títulos e os prêmios

CompetiçãoAnos
Copa Libertadores1981
Copa Intercontinental (Mundial)1981
Campeonato Brasileiro1980, 1982 e 1983, mais a Copa União de 1987
Campeonato Carioca1978, 1979, 1981 e 1986
Bola de Prata da revista Placar1982 e 1985
Principais títulos e prêmios de Leandro pelo Flamengo

O lateral que apoiava como ponta

Leandro jogava com liberdade pela direita, apoiava o ataque e chegava ao fundo para cruzar. Foi titular da campanha de 1981 e peça central do time que ganhou três Brasileiros em quatro anos. Em 1979, uma transferência para o Internacional foi cancelada depois de exames médicos que apontaram o problema nos joelhos, e ele diria depois que o episódio acabou lhe fazendo bem, porque pôde seguir no clube do coração.

"Eu amo muito o Flamengo. O diferencial é você ser um torcedor apaixonado e jogar pelo clube que torce."

— Leandro, sobre sua relação com o Flamengo

Pela seleção: a Copa de 1982

Leandro estreou pela seleção em setembro de 1981 e virou titular de Telê Santana, a partir de um amistoso contra a Bulgária, quando marcou um gol. Na Copa da Espanha, em 1982, jogou os cinco jogos do Brasil — Escócia, Nova Zelândia, Argentina, Itália e União Soviética — e atuou muito sozinho pela ala direita, o que o desgastou. Na goleada sobre a Nova Zelândia, deu dois cruzamentos decisivos para gols de Zico. A eliminação diante da Itália o deixou abatido.

1986: a recusa que encerrou a carreira na seleção

Quatro anos depois, Leandro estava na lista de Telê para a Copa do México, mas a convocação acabou em polêmica. Ele e Renato Gaúcho saíram do hotel de concentração, em Belo Horizonte, e voltaram fora do horário. Telê cortou Renato, mas manteve Leandro, que abriu mão da convocação no dia do embarque e nunca mais jogou pela seleção. Os dois lados descrevem o caso de formas diferentes, e há quem aponte também a artrose, comparável à de uma pessoa de 60 anos, como pano de fundo.

Joelhos, zaga e despedida

Leandro tinha pernas arqueadas e artrose, o que sobrecarregava os joelhos, e foi operado dos meniscos aos 20 anos. Em 1985, passou a jogar como zagueiro central, ao lado de Mozer, e foi eleito o melhor da posição no Brasileirão, com direito a outra Bola de Prata. Depois de poucos jogos em 1989 e 1990, operou o joelho direito e encerrou a carreira aos 31 anos.

"Ele me fez um bem danado, porque eu pude voltar ao Flamengo e seguir minha carreira."

— Leandro, sobre a transferência cancelada para o Internacional, em 1979

De volta a Cabo Frio, construiu uma pousada e se dedicou à família. Leandro ganhou um busto na sede social do Flamengo e uma estátua na cidade natal, e ficou entre os maiores ídolos do clube, para a torcida e para uma enquete do jornal O Globo, em 2020.

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