
Leandro: o lateral-direito do Flamengo de 81, campeão do mundo e titular em 1982
Campeão da Libertadores e do Mundial de 1981, tricampeão brasileiro e titular da seleção de Telê Santana na Copa de 1982, Leandro jogou 12 anos no Flamengo e encerrou a carreira aos 31, vencido pelos joelhos. O perfil de um dos maiores laterais-direitos da história do futebol brasileiro.
José Leandro de Souza Ferreira nasceu em Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, em 17 de março de 1959, e passou a vida com o coração rubro-negro. Acompanhava o Flamengo pelo rádio com o pai, chegou ao Rio para estudar Educação Física e foi parar na Gávea por um teste sugerido por um primo, num ponto de ônibus em frente ao clube. Virou lateral-direito de seleção, craque da geração de 1981 e, por conta dos joelhos, também uma das carreiras mais curtas dessa turma. Este é o perfil de Leandro, o Peixe-frito.
Os números do lateral
| Equipe | Período | Jogos | Gols |
|---|---|---|---|
| Flamengo | 1978–1990 | cerca de 415 | 14 |
| Seleção brasileira | 1981–1986 | 27 | 2 |
- 1978: 20 jogos
- 1979: 19 jogos
- 1980: 12 jogos
- 1981: 56 jogos
- 1982: 46 jogos
- 1983: 54 jogos
- 1984: 47 jogos
- 1985: 46 jogos
- 1986: 23 jogos
- 1987: 41 jogos
- 1988: 36 jogos
- 1989: 8 jogos
- 1990: 12 jogos
O gráfico é de jogos porque Leandro era lateral, não artilheiro. Ele mostra a ascensão a partir de 1981, a regularidade dos anos de ouro e a queda abrupta nas duas últimas temporadas, quando a artrose nos joelhos o obrigou a parar.
Os títulos e os prêmios
| Competição | Anos |
|---|---|
| Copa Libertadores | 1981 |
| Copa Intercontinental (Mundial) | 1981 |
| Campeonato Brasileiro | 1980, 1982 e 1983, mais a Copa União de 1987 |
| Campeonato Carioca | 1978, 1979, 1981 e 1986 |
| Bola de Prata da revista Placar | 1982 e 1985 |
O lateral que apoiava como ponta
Leandro jogava com liberdade pela direita, apoiava o ataque e chegava ao fundo para cruzar. Foi titular da campanha de 1981 e peça central do time que ganhou três Brasileiros em quatro anos. Em 1979, uma transferência para o Internacional foi cancelada depois de exames médicos que apontaram o problema nos joelhos, e ele diria depois que o episódio acabou lhe fazendo bem, porque pôde seguir no clube do coração.
"Eu amo muito o Flamengo. O diferencial é você ser um torcedor apaixonado e jogar pelo clube que torce."
— Leandro, sobre sua relação com o Flamengo
Pela seleção: a Copa de 1982
Leandro estreou pela seleção em setembro de 1981 e virou titular de Telê Santana, a partir de um amistoso contra a Bulgária, quando marcou um gol. Na Copa da Espanha, em 1982, jogou os cinco jogos do Brasil — Escócia, Nova Zelândia, Argentina, Itália e União Soviética — e atuou muito sozinho pela ala direita, o que o desgastou. Na goleada sobre a Nova Zelândia, deu dois cruzamentos decisivos para gols de Zico. A eliminação diante da Itália o deixou abatido.
1986: a recusa que encerrou a carreira na seleção
Quatro anos depois, Leandro estava na lista de Telê para a Copa do México, mas a convocação acabou em polêmica. Ele e Renato Gaúcho saíram do hotel de concentração, em Belo Horizonte, e voltaram fora do horário. Telê cortou Renato, mas manteve Leandro, que abriu mão da convocação no dia do embarque e nunca mais jogou pela seleção. Os dois lados descrevem o caso de formas diferentes, e há quem aponte também a artrose, comparável à de uma pessoa de 60 anos, como pano de fundo.
Joelhos, zaga e despedida
Leandro tinha pernas arqueadas e artrose, o que sobrecarregava os joelhos, e foi operado dos meniscos aos 20 anos. Em 1985, passou a jogar como zagueiro central, ao lado de Mozer, e foi eleito o melhor da posição no Brasileirão, com direito a outra Bola de Prata. Depois de poucos jogos em 1989 e 1990, operou o joelho direito e encerrou a carreira aos 31 anos.
"Ele me fez um bem danado, porque eu pude voltar ao Flamengo e seguir minha carreira."
— Leandro, sobre a transferência cancelada para o Internacional, em 1979
De volta a Cabo Frio, construiu uma pousada e se dedicou à família. Leandro ganhou um busto na sede social do Flamengo e uma estátua na cidade natal, e ficou entre os maiores ídolos do clube, para a torcida e para uma enquete do jornal O Globo, em 2020.
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