
Marcos: o São Marcos que virou santo no Palmeiras e campeão do mundo em 2002
Goleiro de toda a carreira no Palmeiras, herói da Libertadores de 1999, campeão da Série B em 2003 e campeão mundial com a seleção em 2002. O perfil de Marcos Roberto Silveira Reis, o terceiro goleiro que virou santo e recusou o Arsenal para ficar no Palmeiras.
Marcos Roberto Silveira Reis nasceu em Oriente, no interior de São Paulo, em 4 de agosto de 1973, e é o raro jogador que passou a carreira inteira no mesmo clube: foram quase vinte anos de Palmeiras, de 1992 a 2012. Goleiro de 1,93 m, começou o ano de 1999 como terceira opção e terminou como o herói da Libertadores — e como São Marcos, o apelido que o torcedor palmeirense lhe deu e que não saiu mais. Este é o perfil de um goleiro que foi do banco à glória, de campeão mundial a recusar um clube inglês para jogar a Série B.
Os números do goleiro
| Equipe | Período | Jogos |
|---|---|---|
| Palmeiras | 1992–2011 | cerca de 530 |
| Seleção brasileira | 1999–2005 | 29 |
- 1992: 1 jogos
- 1996: 18 jogos
- 1997: 11 jogos
- 1998: 11 jogos
- 1999: 60 jogos
- 2000: 40 jogos
- 2001: 39 jogos
- 2002: 40 jogos
- 2003: 46 jogos
- 2004: 19 jogos
- 2005: 41 jogos
- 2006: 14 jogos
- 2007: 14 jogos
- 2008: 60 jogos
- 2009: 55 jogos
- 2010: 36 jogos
- 2011: 26 jogos
Goleiro não tem gols, e o gráfico é de jogos. Ele conta a história de um reserva que esperou anos pela chance — não há barra para 1993, 1994 e 1995, quando ele estava no elenco campeão, mas sem entrar em campo —, que explodiu em 1999, quando se firmou como titular, e que voltou ao topo em 2008 e 2009, já veterano, com os melhores anos da maturidade.
Os títulos e os prêmios
| Equipe | Títulos |
|---|---|
| Palmeiras | Libertadores 1999, Copa Mercosul 1998, Copa do Brasil 1998, Copa dos Campeões 2000, Torneio Rio–São Paulo 1993 e 2000, Campeonato Brasileiro 1993 e 1994, Série B 2003 e Campeonato Paulista 1993, 1994, 1996 e 2008 |
| Seleção brasileira | Copa do Mundo 2002, Copa América 1999 e Copa das Confederações 2005 |
| Individuais | Melhor goleiro da Libertadores de 1999, melhor goleiro do Brasileirão de 2008 e 2009 e melhor jogador da Série B de 2003 |
A Libertadores de 1999: o nascimento do santo
Em 1999, Marcos começou o ano como terceiro goleiro. Quando o titular Velloso se lesionou, o técnico Luiz Felipe Scolari o escolheu para a vaga, e a campanha mudou de dimensão.
"Eu não era um goleiro conhecido."
— Marcos, sobre a Libertadores de 1999
Quartas de final: Palmeiras x Corinthians
O primeiro milagre de São Marcos veio nas quartas de final, contra o maior rival. O Palmeiras venceu um jogo por 2 a 0 e perdeu o outro pelo mesmo placar, e a decisão foi para os pênaltis. Depois de Dinei chutar para fora, Marcos defendeu a cobrança de Vampeta, e o Palmeiras venceu por 4 a 2.
Semifinal e final
Na semifinal, contra o River Plate, o Palmeiras perdeu por 1 a 0 na Argentina, mas Marcos evitou um prejuízo maior com várias defesas, e o time ganhou a volta por 3 a 0. Na final, perdeu por 1 a 0 em Cali, para o Deportivo Cali, e venceu em casa por 2 a 1, gols de Evair e Oséas. A decisão foi aos pênaltis, vencida por 4 a 3 — com erros de Bedoya e Zapata. Marcos foi eleito o melhor goleiro da Libertadores e apontado como o grande nome do torneio.
Na final do Mundial de Clubes daquele ano, o Palmeiras acabou vice-campeão.
Pela seleção: o titular do penta
Marcos estreou pela seleção em 13 de novembro de 1999, contra a Espanha, e foi campeão da Copa América naquele ano. A Copa de 2002, no entanto, foi a consagração: titular em todas as partidas, ajudou o Brasil a ser pentacampeão sofrendo apenas quatro gols em sete jogos, com quatro partidas sem ser vazado. A última partida pela seleção foi na Copa das Confederações de 2005, um empate por 2 a 2 com o Japão, e ele ainda saiu campeão.
Série B: o goleiro que recusou o Arsenal
Depois do penta, Marcos foi sondado pelo Arsenal, da Inglaterra, mas decidiu ficar no Palmeiras, que tinha sido rebaixado para a Série B. Foi um dos líderes do time que voltou à elite em 2003, quando ganhou a Série B e foi eleito o melhor jogador da competição. O gesto virou parte do mito: o goleiro que preferiu ficar na Segunda Divisão a deixar o clube do coração.
Longevidade e despedida
Marcos jogou até os 38 anos. Em 21 de setembro de 2008, contra o Vasco, chegou ao jogo de número 400 pelo clube, e ainda foi eleito o melhor goleiro do Brasileirão em 2008 e 2009. Anunciou a aposentadoria em 4 de janeiro de 2012, depois de uma carreira marcada também por lesões. O Palmeiras o homenageou com um busto no complexo esportivo do Allianz Parque.
Para os palmeirenses, Marcos é mais do que um goleiro — é o símbolo de quem esperou a vez, aproveitou a chance e nunca largou a camisa. Não por acaso, ficou conhecido como santo.
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