
A final quase perfeita: Brasil 4 x 1 Itália em 1970
Pelé, Gérson, Jairzinho e um gol do capitão Carlos Alberto até hoje eleito o mais bonito das Copas. A final que confirmou o tricampeonato e a Taça Jules Rimet para sempre.
Quatro dias depois do Jogo do Século naquele mesmo Azteca, a Itália voltou ao estádio. Desta vez, para disputar a final contra o Brasil.
Do outro lado, o time mais talentoso que o futebol já viu reunido em campo de uma vez: Pelé, Rivelino, Gérson, Tostão, Jairzinho e Carlos Alberto. Uma geração dourada que chegou na Copa de 1970 com a missão de ganhar o tricampeonato — e com o talento para fazer isso de um jeito que ninguém havia visto antes.
O resultado foi 4 a 1. Mas o placar não conta tudo.
O primeiro tempo: Pelé e a equalização italiana
Pelé abriu o placar logo aos 18 minutos. Um cabeceio perfeito, poderoso, no ângulo — o tipo de gol que o maior jogador do mundo marca quando está no seu melhor.
Mas a Itália, mesmo machucada pelo jogo anterior, ainda tinha qualidade. Boninsegna empatou aos 37 minutos, aproveitando um erro brasileiro. O intervalo chegou com 1 a 1. Nos vestiários, nada de pânico. Aquele Brasil não era o tipo de time que perdia a cabeça.
O segundo tempo: aula de futebol
A partir do segundo tempo, o Brasil transformou a final numa demonstração.
Gérson virou o jogo aos 21 minutos da segunda etapa com um chute de fora da área que entrou no canto sem chances para o goleiro. Dois minutos depois, Jairzinho recebeu um passe de Pelé e ampliou para 3 a 1 — tornando-se o único jogador da história a marcar gols em todas as partidas de uma mesma Copa do Mundo.
O gol mais bonito da história
Aos 86 minutos, com o placar já definido em 3 a 1, o Brasil fez uma jogada que resumia tudo o que aquele time representava.
A bola passou por oito jogadores brasileiros em sequência, com toque e velocidade, deslocando toda a defesa italiana. Pelé recebeu na intermediária, prendeu a bola, olhou para o lado e — ao invés de chutar — esperou pacientemente o momento certo para dar o passe.
Carlos Alberto, o capitão, que havia começado a jogada lá atrás, vinha correndo em velocidade máxima pela direita sem parar desde o início do contra-ataque. Pelé deu o passe milimétrico no momento exato. Carlos Alberto não precisou nem ajustar o passo — acertou a bola de primeira com o máximo de força, no canto do gol, antes que qualquer italiano pudesse reagir.
"4 a 1. A FIFA mais tarde escolheu aquele gol como um dos mais bonitos de toda a história das Copas. Muitos consideram o mais bonito de todos."
O fim e a taça definitiva
Com a vitória, o Brasil conquistou o tricampeonato mundial — cumprindo a regra que dizia que a Taça Jules Rimet pertenceria definitivamente ao primeiro país a vencer três Copas do Mundo. O troféu foi para o Brasil para ficar para sempre.
O time de 1970 é até hoje citado como o melhor selecionado da história do futebol mundial. Aquela tarde no Azteca não foi apenas uma final de Copa. Foi uma afirmação de que o futebol poderia ser arte.
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