
Curiosidades malucas de Copa do Mundo — Parte III: o psicólogo, o cachorro do Garrincha e a taça que sumiu
O laudo que quase deixou Pelé e Garrincha em casa em 1958, o cachorro que driblou o próprio Garrincha em 1962 e o roubo da Jules Rimet em 1983. Três histórias brasileiras que parecem invenção.
Depois de duas partes cheias de recordes globais, agora é a vez do Brasil aparecer no compilado. E como quase tudo que envolve a Seleção em Copas, as histórias começam sérias e terminam num nível de esquisitice que só o futebol brasileiro entrega.
O psicólogo que quase deixou Pelé e Garrincha em casa
Antes da Copa de 1958, na Suécia, a CBF fez algo bem à frente do seu tempo: contratou o psicólogo João Carvalhaes para aplicar testes psicotécnicos em toda a delegação. Ele produziu laudos avaliando quem estava mentalmente pronto para o torneio. O problema é que o resultado dele foi… bem ousado.
- Pelé, 17 anos, foi classificado como "infantil demais" e com "falta de espírito de luta".
- Garrincha recebeu avaliação de inteligência abaixo da média e "zero de agressividade", com laudo dizendo que ele seria "mentalmente incapaz" de suportar a pressão de uma Copa.
- Ambos foram considerados inaptos para a competição.
O técnico Vicente Feola leu, guardou os papéis na gaveta e escalou os dois assim mesmo. Pelé terminou o torneio como um dos grandes destaques, Garrincha foi simplesmente irresistível e o Brasil levantou a primeira taça da história. João Carvalhaes voltou pra casa como campeão do mundo — deve ter sido a viagem de avião mais desconfortável da carreira.
O cachorro que driblou o maior driblador do mundo
Copa de 1962, no Chile. Brasil e Inglaterra se enfrentavam nas quartas de final quando um cachorro invadiu o gramado. Vários jogadores tentaram capturar o bicho e nenhum conseguiu — o cão driblava todo mundo como se aquele fosse o quintal dele.
Então chegou a vez de Garrincha. O mesmo Garrincha que humilhava zagueiros inteiros com um requebrado de quadril. O cachorro aplicou um drible de corpo tão desconcertante nele que o estádio caiu na gargalhada. O inglês Jimmy Greaves conseguiu finalmente pegar o animal — e recebeu como agradecimento um xixi na camisa.
"Garrincha ficou com tanta pena do cachorro que adotou o bicho, levou pro Brasil e batizou de "Bi" — em homenagem ao bicampeonato que a Seleção conquistaria naquela mesma Copa."
— Bastidores da Copa de 1962
A taça que o Brasil ganhou pra sempre — e perdeu de outro jeito
A taça Jules Rimet tinha uma regra clara: o país que vencesse a Copa três vezes ficaria com o troféu em definitivo. O Brasil cumpriu a tarefa em 1970, com o tricampeonato no México, e levou a taça pra casa. Deveria terminar aí, num final feliz. Só que não terminou.
| Ano | Evento |
|---|---|
| 1970 | Brasil conquista o tricampeonato e leva a Jules Rimet em definitivo. |
| 1983 | Dois criminosos invadem a sede da CBF no Rio, rendem o vigia e quebram a vitrine blindada. |
| Depois de 1983 | A taça nunca mais foi encontrada — a principal hipótese é que tenha sido derretida por um comerciante de ouro. |
Hoje, o que existe no Brasil é apenas uma réplica. O país que ganhou a taça pra sempre acabou sendo o único que também a perdeu pra sempre. Se isso não define o nosso futebol, nada define.
Continua na Parte IV
No próximo capítulo: a convulsão misteriosa do Ronaldo na véspera da final de 1998, o recorde de presenças em todas as Copas desde 1930 e o 7 a 1 que fechou um ciclo histórico de um jeito nada agradável.
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