
A Laranja Mecânica e o gol mais rápido da história das finais: Holanda 1 x 2 Alemanha (1974)
16 passes, um pênalti e gol da Holanda antes de a Alemanha tocar na bola. E, ainda assim, Cruyff foi para casa sem o título. A final mais irônica das Copas.
A Holanda de 1974 era diferente de tudo que o futebol havia visto até então. Johan Cruyff, Neeskens, Rep, van Hanegem — um time que jogava com uma filosofia quase filosófica: o "futebol total", onde todos os jogadores atacavam e defendiam, rodavam de posição, pressionavam em bloco. Era caos organizado. Era bonito demais.
E a final, ironicamente, começou com um gol antes mesmo de a Alemanha encostar na bola.
88 segundos
O árbitro apitou o início do jogo. A Holanda começou a trocar passes. Um, dois, três. A Alemanha perseguia, mas não conseguia tocar. A bola circulava com uma naturalidade absurda — foram 16 passes seguidos sem que os alemães conseguissem interceptar.
Então Johan Cruyff recebeu a bola no meio do campo, acelerou em direção à área e foi derrubado por Uli Hoeness. Pênalti. Tempo de jogo: 53 segundos. A Alemanha ainda não havia tocado na bola.
Johan Neeskens foi cobrar. Admitiu depois que mudou de ideia no meio da corrida de aproximação — estava nervoso. Mesmo assim, chutou firme no canto. Gol. 1 a 0 para a Holanda com menos de dois minutos de jogo. O gol mais rápido da história das finais de Copa do Mundo — recorde que existe até hoje.
A torcida holandesa delirava. Parecia que ia ser uma final fácil. Não foi.
A virada que ninguém esperava
A Alemanha sacudiu a poeira, reorganizou e começou a pressionar. Aos 25 minutos, Paul Breitner converteu outro pênalti e empatou o jogo (1–1).
Aos 43 minutos do primeiro tempo, Gerd Müller — o maior artilheiro alemão daquela geração — recebeu a bola de costas para o gol, girou dentro da área num movimento que desafiava a física, e bateu antes que o goleiro pudesse fazer qualquer coisa. 2 a 1 para a Alemanha.
O intervalo chegou com os holandeses atordoados. No segundo tempo, tentaram, empurraram, mas não conseguiram mais furar a defesa alemã.
A Alemanha venceu por 2 a 1. A Holanda, considerada o melhor time do torneio por boa parte da imprensa, foi embora sem o título. Cruyff nunca seria campeão do mundo como jogador. E aquele gol de Neeskens antes mesmo de a Alemanha tocar na bola ficou como símbolo de uma das maiores injustiças — ou ironias — da história do futebol.
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