
Com desfalques, Cruzeiro perde para o Botafogo no reencontro com Artur Jorge
Sem Matheus Pereira, Gerson e Gabriel Pec, o Cruzeiro não superou o Botafogo no Mineirão. O gol saiu dos pés do zagueiro Justino, em escanteio cobrado por Alex Telles.
O duelo no Mineirão teve um sabor especial para Artur Jorge: o técnico do Cruzeiro enfrentou o Botafogo, clube que comandou até pouco tempo atrás, com uma baixa lista de desfalques pela frente — e viu o resultado pender para o lado visitante.
Sem Matheus Pereira, Gerson e Gabriel Pec, o Cruzeiro ainda perdeu Luis Sinisterra, substituído por questões físicas antes do intervalo. O time mineiro sentiu as ausências e não conseguiu impor seu jogo diante de um Botafogo mais organizado.
O único gol da partida saiu ainda no fim do primeiro tempo: em cobrança de escanteio de Alex Telles, o zagueiro Justino subiu mais alto que a marcação e testou para o fundo das redes, garantindo a vitória do Botafogo fora de casa.
O momento do jogo
O gol de Justino, nos minutos finais do primeiro tempo, foi o único lance decisivo de uma partida marcada mais pelas ausências do Cruzeiro do que por chances de gol. Sem seus titulares mais criativos, o time de Artur Jorge nunca conseguiu igualar o placar.
Um tabu de dez anos e uma bola parada
O Botafogo não vencia o Cruzeiro em Belo Horizonte havia dez anos. Quebrou o tabu diante de 39.294 pessoas com 39% de posse de bola, oito finalizações e um gol de escanteio marcado por um zagueiro jovem. Não é o tipo de vitória que se constrói; é o tipo que se aproveita.
Do lado celeste, os números contam a frustração: 61% de posse, 15 finalizações, 6 no alvo — e nenhum gol. Artur Jorge mexeu cedo e mexeu muito (quatro substituições até os 31 do segundo tempo, três delas de uma vez aos 15), mas nenhuma peça reserva deu ao time o que faltava. A ausência simultânea de Matheus Pereira, Gerson e Gabriel Pec tirou do Cruzeiro exatamente quem transforma volume em chance clara — e Sinisterra, que poderia suprir parte disso, saiu machucado aos 38 do primeiro tempo.
Olho na tabela
Com a vitória, o Botafogo sobe para a 7ª posição, com 29 pontos. O Cruzeiro, com a derrota, cai para a 11ª colocação, com 27 pontos — as duas equipes inverteram posições na tabela.
| Time | Posição | Pontos |
|---|---|---|
| Botafogo | 7º | 29 |
| Cruzeiro | 11º | 27 |
Como o Botafogo chegou ao Mineirão
A vitória em Belo Horizonte foi a segunda de uma sequência de três jogos sem perder para o Botafogo: começou com o 2 a 1 sobre o Santos, em casa, dez dias antes, e seguiu com o 0 a 0 diante do Vitória. O Botafogo chegava ao Mineirão numa fase discreta, mas sólida — sem golear ninguém, mas também sem tropeçar.
O que veio depois: duas trajetórias que se cruzaram de novo
O que veio depois inverteu completamente a posição dos dois times na tabela. O Botafogo, que tinha acabado de quebrar um tabu de dez anos, não sustentou o embalo: dos seis jogos seguintes, venceu só um (o 1 a 0 sobre o Cienciano, pela Sul-Americana, depois de ter levado 1 a 6 do mesmo adversário na ida) e perdeu quatro, incluindo a goleada de 3 a 0 sofrida do Flamengo em 30 de agosto. Fechou o mês na 12ª posição, com 30 pontos e saldo negativo de -3.
O Cruzeiro fez o caminho oposto. Depois da derrota em casa, embalou uma sequência forte: bateu o Coritiba fora, avançou na Copa do Brasil sobre a Chapecoense, goleou o Mirassol por 3 a 1, disputou a trilogia contra o Flamengo entre Libertadores e Brasileirão (um empate, uma eliminação e uma vitória) e fechou agosto na 6ª colocação, com 39 pontos — nove a mais e seis posições acima do Botafogo, o mesmo time que, naquele domingo de julho, tinha imposto a primeira vitória em dez anos no Mineirão.
Notas do Guribol
| Jogador | Nota | Comentário |
|---|---|---|
| Justino (BOT) | 7,5 | Decidiu o jogo com um cabeceio de zagueiro, aproveitando escanteio de Alex Telles. |
| Alex Telles (BOT) | 7,0 | Cobrança de escanteio precisa que resultou no gol da vitória. |
| Warleson (BOT) | 7,0 | Não foi vazado diante de 15 finalizações do Cruzeiro, 6 delas no alvo. |
| Kaio Jorge (CRU) | 5,5 | Referência de área num time sem quem o municiasse. Não conseguiu criar sozinho. |
Escalações
| Time | Escalação |
|---|---|
| Cruzeiro | Otávio; Fagner (William, 31'/2ºT), Fabrício Bruno (João Marcelo, 15'/2ºT), Jonathan Jesus e Rojas (Kauã Moraes, 31'/2ºT); Lucas Romero, Matheus Henrique e Marquinhos (Arroyo, 15'/2ºT); Sinisterra (Wanderson, 38'/1ºT), Kaio Jorge e Bruno Rodrigues. Técnico: Artur Jorge |
| Botafogo | Warleson; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles (Marçal, 44'/2ºT); Huguinho, Cristian Medina, Danilo (Kauan Toledo, 23'/2ºT) e Álvaro Montoro (Santi Rodríguez, 37'/2ºT); Arthur Cabral (Kadir, 36'/2ºT) e Matheus Martins (Lucas Villalba, 44'/2ºT) |
Estatísticas do jogo
| Estatística | Cruzeiro | Botafogo |
|---|---|---|
| Finalizações totais | 15 | 8 |
| Finalizações no gol | 6 | 4 |
| Posse de bola | 61% | 39% |
| Faltas cometidas | 14 | 18 |
Ficha do jogo
- Cruzeiro 0 x 1 Botafogo — 20ª rodada do Brasileirão Série A 2026
- Gol: Justino, no fim do 1º tempo, em escanteio cobrado por Alex Telles
- Cruzeiro desfalcado de Matheus Pereira, Gerson e Gabriel Pec; Luis Sinisterra saiu machucado aos 38 do 1º tempo
- Cartões amarelos: Fagner, Jonathan Jesus, Arroyo e Kaio Jorge (Cruzeiro); Warleson, Huguinho, Ferraresi, Alex Telles e Kadir (Botafogo)
- Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG) — domingo, 26 de julho de 2026, 16h
- Público: 39.294 presentes — renda de R$ 2.140.430,50
- Árbitro: Davi de Oliveira Lacerda (ES)
- Primeira vitória do Botafogo sobre o Cruzeiro em Belo Horizonte em dez anos
O que vem por aí
O Botafogo cola no G-5 — fica a dois pontos — e leva de Belo Horizonte a vitória mais improvável da sua campanha. O Cruzeiro precisa recuperar Matheus Pereira, Gerson e Pec antes de outra rodada assim: com 61% de posse e zero gol, o problema não é volume, é quem decide.
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