
Curiosidades malucas de Copa do Mundo — Parte I: goleadas, cartões e um jogo que virou boxe
12 gols em uma partida só, 20 cartões em 90 minutos e um russo tirando amarelo até no vento. As histórias mais absurdas dos Mundiais, contadas com calma.
Copa do Mundo é assim: a cada quatro anos, algum jogo entrega uma cena que ninguém imaginava. Placares de videogame, árbitros distribuindo cartões como panfleto na saída do metrô, público de cidade média dentro de um estádio. Nesta primeira parte, três histórias que continuam parecendo invenção — mas aconteceram de verdade.
12 gols numa partida só — isso é Copa ou videogame?
Em 1954, na Copa realizada na Suíça, Áustria e Suíça decidiram que 90 minutos não eram suficientes para uma partida discreta. O placar final foi Áustria 7 x 5 Suíça, 12 gols no total. É o recorde de gols em uma única partida na história das Copas do Mundo.
Para dar dimensão: a média de gols por jogo na Copa de 2022 foi de 2,7. Ou seja, aquele jogo teve o equivalente a quase quatro partidas e meia condensadas em uma tarde. O detalhe irônico é que a Áustria, mesmo vencendo a goleada, caiu na semifinal para a Alemanha Ocidental. Marcou sete e foi para casa logo depois.
| Recorde | Jogo | Placar | Copa |
|---|---|---|---|
| Mais gols em uma partida | Áustria x Suíça | 7 x 5 | 1954 |
| Média de gols por jogo | Copa do Catar | 2,7 por partida | 2022 |
A Batalha de Nuremberg — Copa ou ringue de boxe?
A Copa de 2006, na Alemanha, teve muitos jogos bons. Teve também um que o árbitro provavelmente ainda revive nos pesadelos: Portugal 1 x 0 Holanda, nas oitavas de final. O russo Valentin Ivanov saiu de campo com uma boletim assustador.
- 16 cartões amarelos distribuídos
- 4 cartões vermelhos (2 para cada lado)
- Gol solitário de Maniche, praticamente esquecido no caos
Foram mais cartões do que muitos torneios inteiros somam. Jogadores expulsos, outros saindo mancando, e o árbitro sacando a caderneta a cada disputa mais firme. A imprensa apelidou o jogo de "Batalha de Nuremberg" — e não foi como elogio. Até hoje é o recorde de cartões vermelhos em uma única partida de Copa do Mundo.
"Nunca tinha visto um árbitro trabalhar tanto e conseguir tão pouco."
— Comentaristas sobre a atuação de Valentin Ivanov em Portugal x Holanda, 2006
A disputa de pênaltis que parou o coração de meio mundo
A Copa de 2022, no Catar, trouxe uma das disputas de pênaltis mais nervosas da história recente: Argentina x Holanda, nas quartas de final. Depois de um jogo duro que terminou 2 a 2 na prorrogação, veio a cobrança. E o que aconteceu ali foi quase cinematográfico.
O goleiro argentino Emiliano "Dibu" Martínez virou personagem de filme de terror para os holandeses: dançava na linha, provocava antes de cada cobrança e defendeu nos momentos certos. A Argentina passou por 4 a 3, e o clima no estádio era de infarto — para quem assistia e, principalmente, para quem batia.
Vale lembrar também da final daquela Copa, entre Argentina e França: 3 a 3 no tempo normal e prorrogação, 4 a 2 nos pênaltis para os hermanos, com Gonzalo Montiel batendo o último e entregando o título a Messi. Épico é pouco.
O gol mais rápido da história das Copas — 11 segundos
Copa de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão. Turquia e Coreia do Sul se enfrentavam pelo terceiro lugar, num jogo que a essa altura já não valia troféu nenhum. Mesmo assim, o que aconteceu logo na bola rolando entrou para os livros de recorde.
A Coreia do Sul deu a saída de bola, tocou de volta para o meio-campo — e a Turquia roubou a posse na hora. Hakan Şükür recebeu, ajeitou com um toque e bateu cruzado, sem chance para o goleiro Lee Woon-jae. Décimo primeiro segundo de jogo. O árbitro mal tinha soltado o apito inicial.
| Recorde anterior | Ano | Novo recorde | Ano |
|---|---|---|---|
| Václav Mašek (Tchecoslováquia) | 1962 | Hakan Şükür (Turquia) | 2002 |
A Turquia venceu aquele jogo por 3 a 2, com Şükür ainda dando duas assistências depois do gol relâmpago. Mais de duas décadas depois, o recorde continua de pé — reconhecido pela FIFA e pelo Guinness World Records como o gol mais rápido da história das Copas do Mundo.
Continua na Parte II
No próximo capítulo do compilado: o maior público da história dos Mundiais, o silêncio de 200 mil pessoas ao mesmo tempo no Maracanã e a briga estatística entre Brasil e Alemanha pelo posto de seleção que mais fez gols em Copas.
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