
Curiosidades malucas de Copa do Mundo — Parte IV: a convulsão de Ronaldo, o recorde de presenças e o 7 a 1
A madrugada misteriosa antes da final de 98, o fato do Brasil ser o único país presente em todas as Copas e o 7 a 1 que ecoou um placar antigo de um jeito cruel.
A Parte III trouxe histórias que envolveram taça sumida e cachorro invadindo campo. Agora, três histórias em que a Seleção Brasileira aparece de forma bem diferente — uma cinematográfica, uma estatística e uma que ainda dói.
Ronaldo, a convulsão misteriosa e a final que ninguém entende
A Copa de 1998, na França, era para ser o torneio da consagração definitiva de Ronaldo. Ele chegou na final favorito ao Bola de Ouro, jogando um futebol de outro planeta, e o Brasil enfrentaria os anfitriões pelo bicampeonato consecutivo. Aí a madrugada da decisão aconteceu.
Segundo relatos amplamente divulgados depois, Ronaldo teve uma convulsão no quarto da concentração. Companheiros entraram em pânico — um deles, segundo várias reportagens, chegou a dizer na hora que "ele vai morrer em campo". O jogador foi levado para o hospital, examinado, e os médicos liberaram.
- A escalação inicial divulgada pela CBF saiu sem o nome de Ronaldo.
- Horas depois, uma nova lista foi publicada — desta vez com o nome dele incluído.
- Nunca houve explicação pública sobre a mudança.
O Brasil perdeu por 3 a 0. Ronaldo entrou em campo, mas jogou muito abaixo do próprio nível. Mais de duas décadas depois, nem os médicos nem o próprio Ronaldo souberam explicar o que causou a convulsão — e ele nunca mais teve outro episódio parecido. A cena continua sendo um dos maiores mistérios da história recente do futebol.
O único país que esteve em todas as Copas
Existe um dado que é fácil de repetir, mas difícil de dimensionar: o Brasil é o único país do mundo a ter participado de todas as edições da Copa desde a primeira, em 1930. Nenhuma seleção jamais chegou perto disso.
| Marca | Números |
|---|---|
| Participações consecutivas | Mais de 22 edições, sem falhar nenhuma |
| Gols marcados em Copas | Mais de 230 — recorde histórico |
| Títulos | 5 (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) |
Para dar dimensão: a Itália, tetracampeã, ficou fora da Copa de 2018 e da Copa de 2022. A Argentina, hoje campeã mundial, passou décadas sem chegar longe nas fases finais antes de 2022. Enquanto isso, o Brasil simplesmente aparece sempre — seja pra ganhar, seja pra frustrar.
O bônus: o 7 a 1 que fez sentido histórico da pior forma
Em 1950, o Brasil goleou a Suécia por 7 a 1 na Copa realizada em casa — uma das campanhas mais empolgantes até aquele momento e um placar que virou símbolo de futebol vistoso. Em 2014, também em casa, a Alemanha goleou o Brasil por 7 a 1 na semifinal, em Belo Horizonte.
"Mesmo placar. Mesma seleção. Sentidos completamente opostos."
— Uma coincidência que só a história do futebol entrega
A história tem um humor cruel às vezes. Fecha o compilado deixando claro que, envolvendo Brasil e Copa do Mundo, dificilmente existe história pequena — ou repetição sem carga.
O jogo de Copa com menos gente nas arquibancadas — cerca de 300 pessoas
Vale fechar com um recorde do lado oposto do espetáculo de massa que a Copa costuma ser. Em 14 de julho de 1930, na primeíssima edição do torneio, disputada no Uruguai, Romênia e Peru se enfrentaram pela fase de grupos no pequeno Estádio Pocitos, em Montevidéu. O boletim oficial da época registrou pouco mais de 2 mil ingressos vendidos, mas relatos históricos e a maioria das fontes que reconstituíram o dia falam em algo perto de 300 pessoas nas arquibancadas — o menor público já visto num jogo de Copa do Mundo.
O motivo era simples: no mesmo horário, o público de Montevidéu preferiu acompanhar o Brasil — que não jogava uma partida oficial havia cinco anos — estrear contra a Iugoslávia em outro estádio da cidade. Quem sobrou para Romênia x Peru foi gente que, literalmente, cabia numa arquibancada pequena.
A Romênia venceu por 3 a 1, num jogo que também entrou para a história por outro motivo: teve a primeira expulsão da história das Copas do Mundo, de um jogador peruano. Um público minúsculo, testemunhando dois recordes na mesma tarde — quase um século antes de qualquer Copa vender ingresso pela internet.
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