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O fator casa no Brasileirão: quanto jogar em casa realmente vale, desde 2006

Cruzamos vitórias, empates e aproveitamento de mandante e visitante em cada uma das 21 temporadas da Série A desde 2006. O time da casa venceu, em média, quase metade dos jogos e teve quase o dobro do aproveitamento do visitante — mas essa vantagem vem encolhendo.

Por Redação Guribol · 03 de outubro de 2026 · 5 min de leitura
Editado por Victor Sismotto

Em 21 temporadas de pontos corridos, o time da casa venceu praticamente a metade dos jogos do Brasileirão — e, quando não venceu, teve muito mais chance de empatar do que de perder. Cruzamos vitórias, empates e aproveitamento de mandante e visitante em cada uma das edições da Série A desde 2006, e o resultado confirma o que todo torcedor já sente no estômago: jogar em casa vale muito, embora um pouco menos hoje do que valia quinze anos atrás.

Na média da série inteira, o mandante venceu 49,0% dos jogos, contra 24,8% de vitórias do visitante — os 26,2% restantes foram empate. Em aproveitamento de pontos, a diferença é ainda mais clara: o time da casa fica, em média, com 24,8 pontos percentuais de aproveitamento a mais do que o visitante no mesmo jogo, quase o dobro considerando toda a série.

O método

A base de jogo a jogo vem de um dataset público compilado a partir das súmulas da CBF e do ge.globo (repositório "adaoduque/Brasileirao_Dataset" no GitHub), processado por outro projeto público de análise ("FelipeSantanaJ/futebol-brasileiro-analises") numa tabela ano a ano com vitórias, empates e aproveitamento de mandante e visitante — o que poupa a raspagem de milhares de partidas individuais pra um levantamento que é, por natureza, histórico e estável. Cruzamos essa tabela contra o ogol.com.br em três temporadas espalhadas pela série (2006, 2015 e 2023): os percentuais de vitória em casa, empate e vitória do visitante bateram nos três anos, com diferença só de arredondamento.

2025 e 2026 ainda não estão nesse dataset público — pra esses dois anos, os números vêm direto do ogol.com.br. 2026 é parcial: cobre as 278 partidas já disputadas até 3 de outubro. 'Aproveitamento' é a conta de sempre, pontos conquistados dividido pelos pontos possíveis (3 por jogo), em percentual — separamos esse número por mandante e visitante em cada temporada e olhamos pra diferença entre os dois.

Quantas vitórias o mando de campo garante

50.3%200650.5%200754.7%200851.3%200947.1%201048.4%201148.2%201248.4%201351.8%201452.6%201553.3%201644%201753.2%201848.4%201945%202045.8%202144.2%202246.8%202347.4%202450.3%202546.8%2026
  • 2006: 50.3%
  • 2007: 50.5%
  • 2008: 54.7%
  • 2009: 51.3%
  • 2010: 47.1%
  • 2011: 48.4%
  • 2012: 48.2%
  • 2013: 48.4%
  • 2014: 51.8%
  • 2015: 52.6%
  • 2016: 53.3%
  • 2017: 44%
  • 2018: 53.2%
  • 2019: 48.4%
  • 2020: 45%
  • 2021: 45.8%
  • 2022: 44.2%
  • 2023: 46.8%
  • 2024: 47.4%
  • 2025: 50.3%
  • 2026: 46.8%
Vitórias do time da casa, em % dos jogos de cada temporada. Linha pontilhada: média da série (49,0%). 2026 é parcial (278 jogos).

A vantagem de jogar em casa não desapareceu, mas encolheu um pouco. Nas dez primeiras temporadas da série (2006 a 2015), o mandante venceu, em média, 50,3% dos jogos. Nas dez temporadas seguintes já encerradas (2016 a 2025), essa média cai pra 47,8% — uma queda de 2,5 pontos percentuais. Não é uma queda brusca, mas vai na direção que a crônica esportiva já vem notando: o visitante ganhando terreno. O ano de maior vantagem do mandante foi 2008 (54,7% de vitórias em casa); o de menor foi 2017 (44,0%) — justamente a temporada com a maior taxa de vitória do visitante de toda a série (29,0%).

O aproveitamento: quase o dobro de pontos jogando em casa

26.1 p.p.200624.7 p.p.200734.7 p.p.200829.5 p.p.200925.3 p.p.201024.5 p.p.201124 p.p.201225.3 p.p.201327.9 p.p.201429.2 p.p.201531.4 p.p.201615 p.p.201735.3 p.p.201822.6 p.p.201918.4 p.p.202021.3 p.p.202116.8 p.p.202219.5 p.p.202321.3 p.p.202426.6 p.p.202521.2 p.p.2026
  • 2006: 26.1 p.p.
  • 2007: 24.7 p.p.
  • 2008: 34.7 p.p.
  • 2009: 29.5 p.p.
  • 2010: 25.3 p.p.
  • 2011: 24.5 p.p.
  • 2012: 24 p.p.
  • 2013: 25.3 p.p.
  • 2014: 27.9 p.p.
  • 2015: 29.2 p.p.
  • 2016: 31.4 p.p.
  • 2017: 15 p.p.
  • 2018: 35.3 p.p.
  • 2019: 22.6 p.p.
  • 2020: 18.4 p.p.
  • 2021: 21.3 p.p.
  • 2022: 16.8 p.p.
  • 2023: 19.5 p.p.
  • 2024: 21.3 p.p.
  • 2025: 26.6 p.p.
  • 2026: 21.2 p.p.
Diferença entre o aproveitamento (%) do mandante e do visitante na mesma temporada, em pontos percentuais. Linha pontilhada: média da série (24,8 p.p.).

A maior diferença de toda a série foi em 2018: o mandante teve 62,8% de aproveitamento contra 27,5% do visitante, uma diferença de 35,3 pontos percentuais — o time da casa, naquele ano, aproveitou mais do que o dobro dos pontos do visitante. A menor diferença foi em 2017 (15,0 pontos), o mesmo ano com a menor vantagem em vitórias: um ano fora da curva nos dois critérios.

A pista dos jogos sem torcida

2020 foi a única temporada inteira disputada sem público nos estádios, por causa da pandemia. A diferença de aproveitamento daquele ano (18,4 pontos percentuais) ficou abaixo da média da série (24,8) — consistente com a ideia de que a torcida nas arquibancadas é parte do que empurra o aproveitamento do mandante pra cima. Mas a mesma lógica não explica 2017, que teve a menor diferença de toda a série (15,0 pontos) com os estádios cheios como em qualquer outro ano — então, se o público realmente pesa, não é o único fator, e talvez nem o principal.

TemporadaVitória casaEmpateVitória visitanteAproveitamento casaAproveitamento visitante
200650,3%25,5%24,2%58,8%32,7%
200750,5%23,7%25,8%58,4%33,7%
200854,7%25,3%20,0%63,2%28,4%
200951,3%26,8%21,8%60,3%30,8%
201047,1%31,1%21,8%57,5%32,2%
201148,4%27,6%24,0%57,6%33,2%
201248,2%27,6%24,2%57,4%33,4%
201348,4%28,4%23,2%57,9%32,6%
201451,8%24,2%24,0%59,9%32,0%
201552,6%24,0%23,4%60,6%31,4%
201653,3%24,8%21,9%61,6%30,2%
201744,0%27,1%29,0%53,0%38,0%
201853,2%29,0%17,9%62,8%27,5%
201948,4%25,8%25,8%57,0%34,4%
202045,0%28,4%26,6%54,5%36,1%
202145,8%29,7%24,5%55,7%34,4%
202244,2%28,4%27,4%53,7%36,8%
202346,8%25,8%27,4%55,4%36,0%
202447,4%26,6%26,1%56,2%34,9%
202550,3%26,1%23,7%59,0%32,4%
2026*46,8%27,7%25,5%56,0%34,8%
Números brutos por temporada, base dos dois gráficos acima. *2026 parcial (278 jogos).

O que isso não significa

Esse levantamento é agregado da liga inteira, não por time: alguns clubes têm fator casa muito mais forte ou mais fraco do que a média (há relatos recentes de times com campanha melhor como visitante do que como mandante numa mesma temporada) — isso é outra pergunta, pra outro estudo. Também não controla a força do adversário enfrentado em casa e fora em cada temporada, nem separa o efeito específico de público, gramado, viagem ou arbitragem — só mede o resultado final, sem apontar a causa. E 2026 está incompleto: os números daquele ano cobrem só as partidas já disputadas até 3 de outubro, não a temporada fechada.

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