
Quantos chutes valem um gol no Brasileirão? O raio-X dos 20 times em 2026
Somamos, jogo a jogo, as finalizações a favor e sofridas dos 20 times da Série A 2026 inteira. Athletico-PR e Flamengo empatam tecnicamente como os mais eficientes na frente; o Vasco é quem mais finaliza e, mesmo assim, tem a pior conversão da liga.
Chutar muito não é sinônimo de fazer gol, e sofrer poucos chutes não é sinônimo de defesa sólida — mas quase ninguém mede essa relação de verdade. Somamos, partida por partida, as finalizações a favor e as finalizações sofridas dos 20 times da Série A 2026 inteira, e dividimos pela quantidade de gols marcados e sofridos de cada um. O resultado é uma régua simples: quantos chutes, em média, cada time precisa pra fazer um gol — e quantos o adversário precisa pra marcar contra ele.
Pelo levantamento, Athletico-PR e Flamengo estão tecnicamente empatados no topo: os dois giram em torno de 8 finalizações para cada gol marcado, o melhor aproveitamento da liga (o Furacão leva uma fração mínima de vantagem, 7,98 contra 7,98 do time carioca — a diferença só aparece na terceira casa decimal). No outro extremo está o Vasco da Gama, que precisa de mais de 14 chutes pra balançar a rede — e, ainda assim, é o time que mais finaliza entre os 20, com 483 finalizações a favor na amostra. Muito volume, pouca conversão.
O método
O levantamento cobre os 20 clubes da Série A 2026. Somamos as finalizações totais (não só as que foram no gol) de cada um, partida a partida, em toda a temporada disputada até agora, extraídas da página de estatísticas da ESPN de cada confronto — ou, quando a ESPN não tinha a tabela (comum em jogos do início do ano), do ogol.com.br como segunda fonte. A identidade de cada partida (placar, data, fase) foi confirmada antes de usar qualquer número, e a soma de gols pró e contra de cada time foi conferida contra a própria tabela do Brasileirão publicada neste site como teste de integridade da lista de jogos.
Uma única exceção: num jogo do Coritiba, duas fontes boas discordaram sobre o número de finalizações do adversário, e a regra deste site é omitir a linha inteira nesses casos — por isso o total do Coritiba cobre 27 das 28 partidas da equipe, não 28. Vasco da Gama e Chapecoense aparecem com 27 jogos porque é essa a quantidade que os dois efetivamente disputaram até agora (jogos a menos na tabela, não exclusão de dado).
Os gols marcados e sofridos de cada time vêm direto da própria tabela do Brasileirão do site, já apurada e validada à parte. Dividindo a soma de finalizações pela soma de gols, chegamos a dois números por time: quantos chutes ele precisa, em média, pra fazer um gol, e quantos o adversário precisa, em média, pra fazer um gol contra ele.
Quem gasta menos pólvora pra marcar
- Athletico-PR: 8 chutes/gol
- Flamengo: 8 chutes/gol
- Coritiba: 8.2 chutes/gol
- Santos: 8.7 chutes/gol
- Palmeiras: 8.9 chutes/gol
- Fluminense: 9.1 chutes/gol
- Bahia: 9.3 chutes/gol
- Botafogo: 9.5 chutes/gol
- Cruzeiro: 9.7 chutes/gol
- Atlético-MG: 10.1 chutes/gol
- Grêmio: 10.6 chutes/gol
- Remo: 10.9 chutes/gol
- São Paulo: 11.2 chutes/gol
- Mirassol: 11.6 chutes/gol
- Corinthians: 11.8 chutes/gol
- Chapecoense: 11.8 chutes/gol
- Vitória: 12 chutes/gol
- Internacional: 13.7 chutes/gol
- Red Bull Bragantino: 13.9 chutes/gol
- Vasco da Gama: 14.2 chutes/gol
Quem tem a defesa mais difícil de furar
- Palmeiras: 17.1 chutes/gol
- Flamengo: 15.1 chutes/gol
- Atlético-MG: 13.1 chutes/gol
- Grêmio: 11.6 chutes/gol
- Athletico-PR: 11.2 chutes/gol
- Coritiba: 11 chutes/gol
- Bahia: 10.9 chutes/gol
- Red Bull Bragantino: 10.6 chutes/gol
- São Paulo: 10.5 chutes/gol
- Vitória: 10.4 chutes/gol
- Corinthians: 10.3 chutes/gol
- Fluminense: 9.9 chutes/gol
- Botafogo: 9.4 chutes/gol
- Cruzeiro: 9.4 chutes/gol
- Mirassol: 9.3 chutes/gol
- Santos: 9.2 chutes/gol
- Internacional: 8.8 chutes/gol
- Chapecoense: 8.5 chutes/gol
- Remo: 8.4 chutes/gol
- Vasco da Gama: 7.7 chutes/gol
O Palmeiras lidera a defesa com folga: precisa de 17,1 finalizações do adversário pra ser vazado, mais do que o dobro do Vasco da Gama, na ponta oposta, com 7,7. É coerente com o resto da temporada — o Palmeiras tem a melhor defesa de todo o Brasileirão em gols sofridos (21), o Vasco está mais perto do Z4 do que do G6 —, mas o número isola uma camada que o simples placar não mostra: o quanto cada defesa resiste à pressão, chute a chute, antes de ser vazada.
O caso do Vasco
O destaque mais chamativo do levantamento continua sendo o próprio Vasco da Gama, nos dois lados do campo. No ataque, é o time que mais finaliza entre os 20 (483) e, ainda assim, o que converte pior (14,2 chutes por gol). Na defesa, o quadro é quase o espelho: o Vasco é o time que sofre MENOS finalizações de toda a Série A (317, abaixo até do Internacional, com 318, e do São Paulo, com 336), mas tem um dos maiores números de gols sofridos da liga (41). Ou seja, a defesa cruzmaltina não está sendo bombardeada — ela está deixando passar uma proporção de finalizações pro gol bem maior do que qualquer outro time analisado.
| Time | Finalizações a favor | Finalizações sofridas | Jogos |
|---|---|---|---|
| Flamengo | 439 | 347 | 28 |
| Palmeiras | 420 | 360 | 28 |
| São Paulo | 368 | 336 | 28 |
| Corinthians | 342 | 329 | 28 |
| Vasco da Gama | 483 | 317 | 27 |
| Grêmio | 317 | 442 | 28 |
| Internacional | 411 | 318 | 28 |
| Cruzeiro | 407 | 374 | 28 |
| Santos | 373 | 376 | 28 |
| Atlético-MG | 375 | 420 | 28 |
| Fluminense | 401 | 356 | 28 |
| Botafogo | 390 | 425 | 28 |
| Athletico-PR | 343 | 358 | 28 |
| Bahia | 399 | 382 | 28 |
| Coritiba | 302 | 474 | 27 |
| Vitória | 336 | 435 | 28 |
| Red Bull Bragantino | 458 | 340 | 28 |
| Mirassol | 383 | 392 | 28 |
| Remo | 350 | 393 | 28 |
| Chapecoense | 342 | 452 | 27 |
O que isso não significa
Esse número não mede qualidade do chute: um levantamento de finalizações totais trata igual um toque na pequena área livre de marcação e um petardo de fora da área que nunca ameaçou o gol. Também não separa pênaltis do resto da amostra, nem pesa o nível do adversário enfrentado em cada jogo — um time que joga mais vezes contra rivais da parte de baixo da tabela tende a converter melhor do que um que enfrenta o pelotão de cima com mais frequência. E o total do Coritiba, por causa da exceção explicada no método, está ligeiramente subestimado: cobre 27 das 28 partidas, então o chute real por gol da equipe deve ser um pouco mais alto do que o número exibido aqui.
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