Troféu do Campeonato Brasileiro de 2019, conquistado pelo Flamengo
Estatísticas

23 anos de pontos corridos: o retrospecto acumulado do Brasileirão desde 2003

Somamos pontos, pódios, vagas de Libertadores, rebaixamentos e gols de cada temporada do Brasileirão desde a virada para os pontos corridos, em 2003. São Paulo e Flamengo brigam ponto a ponto pela liderança histórica — e nem sempre quem manda no acumulado é quem tem mais títulos.

Por Redação Guribol · 28 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
Editado por Victor Sismotto

O Brasileirão adotou o formato de pontos corridos — todos contra todos, ida e volta, sem mata-mata — em 2003. Antes disso, o campeonato viveu décadas de fórmulas trocadas, com fases, grupos e "quadrangulares" que tornam qualquer comparação histórica direta injusta. De 2003 para cá, porém, a régua é a mesma todo ano: quem faz mais pontos em 38 rodadas (34 em 2005, 42 em 2003 e 2005, 46 em 2003 e 2004) é campeão, ponto final. Isso abre espaço para uma pergunta que não costuma aparecer nas coberturas de temporada: somando os 23 anos, quem tem o melhor retrospecto acumulado do Brasileirão?

Levantamos a classificação final de cada uma das 23 temporadas (2003 a 2025) e cruzamos seis recortes: pontos acumulados, presença no pódio, vagas de Libertadores ou pré-Libertadores conquistadas pela tabela, rebaixamentos, vitórias e — só a partir de 2006, quando o campeonato estabilizou em 20 clubes — ataque e defesa.

O método

A fonte primária foi a classificação final de cada temporada na Wikipédia, conferida ano a ano. Para checar a soma, comparamos o resultado com o ranking acumulado do site especializado campeoesdofutebol.com.br, que também soma pontos desde 2003: os dois bateram exatamente em 18 dos 20 primeiros colocados. Fluminense e Sport ficaram 3 pontos abaixo do número do site nessa comparação — uma diferença pequena (o equivalente a uma vitória a menos em vez de empate numa única rodada, em 23 anos de campeonato) que não conseguimos reconciliar com certeza, então mantivemos o número apurado diretamente nas 23 classificações oficiais, com a ressalva registrada aqui.

Para vagas de Libertadores, contamos só o que veio da posição na tabela — direto ou via pré-Libertadores/fase preliminar — no ano em que o time terminou naquela posição. Ficaram de fora vagas conquistadas por título de Copa do Brasil, Sul-Americana ou da própria Libertadores anterior, que aparecem soltas na classificação de alguns anos (caso do Flamengo em 2006, 11º colocado mas com vaga garantida como campeão da Copa do Brasil daquele ano). O critério prático: vaga de Libertadores só conta quando é a última de um bloco contínuo a partir do 1º lugar — assim que a sequência quebra, o que vem depois é vaga por outro título, não pela tabela.

Quem soma mais pontos desde 2003

TimePontosTemporadasVED
São Paulo1.43423396246252
Flamengo1.42823397241256
Internacional1.33022368224264
Palmeiras1.32621374204232
Corinthians1.31222353251252
Fluminense1.29123353230311
Santos1.28422352228276
Atlético-MG1.27522350225281
Grêmio1.22721341204269
Cruzeiro1.19920337188255
Os 10 primeiros do acumulado de pontos 2003-2025. V/E/D somam as 23 temporadas.

São Paulo lidera por apenas 6 pontos sobre o Flamengo — uma diferença que duas rodadas bastam para apagar (na melhor das hipóteses, duas vitórias do Flamengo somadas a duas derrotas do São Paulo). Os dois são também os únicos times presentes em todas as 23 temporadas da era dos pontos corridos, o que já diz muito: no topo do acumulado não está só quem foi campeão mais vezes, está quem nunca caiu e nunca passou temporada nenhuma fora da elite. Fluminense soma a terceira maior quantidade de jogos disputados (894, empatado com São Paulo e Flamengo) mas tem o pior número de derrotas do grupo de cima (311), o que o segura na 6ª posição mesmo com presença constante.

Quem mais aparece no pódio

TimeTop 3TítulosVices
Flamengo9x42
Palmeiras9x43
São Paulo7x31
Internacional7x05
Santos6x14
Grêmio6x03
Cruzeiro6x31
Corinthians5x40
Atlético-MG5x12
Fluminense4x20
Contagem de 1º, 2º e 3º lugares na tabela final, 2003-2025.

Aqui aparece uma separação clara entre pódio e taça: o Internacional é o time que mais vezes chegou ao top 3 sem nunca ser campeão nesse período (7 vezes, todas como vice ou terceiro), e o Grêmio tem a mesma característica em menor escala (6 vezes no top 3, zero títulos). Do outro lado, o Corinthians converte quase todo pódio em taça — das 5 vezes que chegou ao top 3, foi campeão em 4.

A porta da Libertadores

TimeVagas via tabela
Flamengo13x
Palmeiras13x
São Paulo13x
Grêmio11x
Internacional9x
Cruzeiro9x
Atlético-MG9x
Fluminense9x
Santos8x
Corinthians8x
Vagas de Libertadores ou pré-Libertadores conquistadas pela posição na tabela, 2003-2025.

O trio Flamengo-Palmeiras-São Paulo garantiu vaga direta ou de pré-Libertadores pela tabela em mais da metade das 23 temporadas — mais de uma a cada duas edições do campeonato. O Grêmio chama atenção na quarta posição: sem ser o time com mais pontos ou mais pódios do grupo de cima, ainda assim bateu na porta da Libertadores em quase metade dos anos analisados.

Quem mais caiu

TimeRebaixamentos
Avaí5x
Coritiba5x
Sport5x
América-MG4x
Atlético-GO4x
Goiás4x
Vasco da Gama4x
Vitória4x
Bahia3x
Ceará3x
Rebaixamentos para a Série B na era dos pontos corridos, 2003-2025.

Avaí, Coritiba e Sport dividem o topo do ranking que ninguém quer liderar, com cinco quedas cada um desde 2003. O caso do Vasco chama atenção por outro motivo: o mesmo clube que tem 907 pontos acumulados (13º do ranking geral) e um vice-campeonato no currículo também caiu quatro vezes — o retrato de uma trajetória de altos e baixos mais extrema que a de qualquer outro time na parte de cima da tabela geral.

Ataque e defesa desde 2006

2006 foi a primeira temporada com o formato atual de 20 clubes — os três anos anteriores tiveram 22 ou 24 times e um número de jogos diferente, o que distorceria qualquer comparação de gols por jogo. Por isso, esse recorte específico soma só 2006 a 2025 (20 temporadas), e considera apenas os times com pelo menos 15 delas disputadas, para não deixar uma amostra pequena inflar a média de um lado ou de outro.

1.49Flamengo1.45Palmeiras1.43Atlético-MG1.38Grêmio1.35São Paulo1.34Cruzeiro1.33Santos1.3Internacional1.3Fluminense1.28Botafogo
  • Flamengo: 1.49
  • Palmeiras: 1.45
  • Atlético-MG: 1.43
  • Grêmio: 1.38
  • São Paulo: 1.35
  • Cruzeiro: 1.34
  • Santos: 1.33
  • Internacional: 1.3
  • Fluminense: 1.3
  • Botafogo: 1.28
Gols marcados por jogo desde 2006, mínimo 15 temporadas disputadas.
TimeGols sofridos/jogoJogos
Corinthians1,04722
São Paulo1,04760
Internacional1,08722
Grêmio1,09722
Palmeiras1,10722
Flamengo1,11760
Cruzeiro1,12646
Santos1,17722
Fluminense1,18760
Athletico-PR1,19684
Melhores defesas desde 2006, mínimo 15 temporadas disputadas.

Flamengo lidera o ataque com folga (quase 1,5 gol por jogo ao longo de 20 temporadas), mas é o Corinthians — sétimo em pontos, quinto em títulos, mas com um dos ataques mais discretos do grupo de cima — quem tem a defesa mais econômica do período, empatado com o São Paulo. É outro sinal de que o campeonato mais longo do mundo (nenhuma outra grande liga do planeta tem 38 rodadas de pontos corridos com esse nível de instabilidade de calendário) não perdoa quem depende só de um lado do campo.

Vasco, Athletico-PR, Botafogo, Bahia, Vitória e Coritiba

Nenhum desses seis fica entre os dez primeiros de nenhum dos recortes acima, mas têm presença de sobra na era dos pontos corridos — e um deles já é campeão.

TimePontosTemporadasVEDRebaixamentos
Athletico-PR1.158213201983002
Botafogo1.073202872122732
Vasco da Gama907182361992694
Coritiba718151891512505
Bahia615131591382053
Vitória560121471192064
Acumulado 2003-2025, mesma fonte e método da tabela principal. Rebaixamentos contam só os ocorridos dentro da era dos pontos corridos.

Botafogo é o único dos seis com título: campeão em 2024, com 79 pontos, folga de seis sobre o vice Palmeiras — o 3º troféu do clube na história, depois de 1968 (Taça Brasil) e 1995 (ainda em formato de grupos, fora da era analisada aqui). Fora isso, nenhum dos seis chegou ao pódio (top 3) do Brasileirão em nenhuma das 23 temporadas da era dos pontos corridos. Athletico-PR e Botafogo, aliás, já aparecem nos recortes de ataque e defesa lá em cima: o Furacão tem a 10ª melhor defesa desde 2006, e o Botafogo o 10º melhor ataque — os outros quatro não chegam às 15 temporadas disputadas desde 2006 que esse recorte exige.

Em rebaixamentos, Coritiba (5x) e Vasco (4x) já apareciam na lista dos dez líderes do critério, lá em cima; Athletico-PR e Botafogo caem bem abaixo disso, com só duas quedas cada um na era — Athletico-PR em 2011 e 2024 (de volta à Série A já em 2026), Botafogo em 2014 e 2020 (campeão da Série B nas duas vezes que caiu). Um contraste chama atenção fora da tabela: o Vitória nunca disputou a Copa Libertadores em toda a sua história, antes ou depois de 2003 — uma situação rara entre clubes do tamanho dele. Do outro lado, o Athletico-PR chegou a duas finais do torneio continental no mesmo período, em 2005 e 2022, perdendo as duas.

O que isso não conta

Esse levantamento não inclui nada anterior a 2003 — títulos, rebaixamentos ou campanhas dos formatos de grupos e mata-mata que o Brasileirão teve antes disso ficam fora da conta, porque comparar pontos de fórmulas diferentes não faz sentido. Também não entra a Série B: um rebaixamento aqui é só a queda, não o tempo que o time ficou fora da Série A nem o que fez para voltar. E vagas de Libertadores conquistadas por título de copa continental ou nacional, como a do Flamengo em 2006 ou do Sport em 2008, ficam de fora da contagem por tabela — são outra conquista, não um reflexo da posição na temporada regular.

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