
Alex de Souza: o craque que a Copa perdeu e a Turquia transformou em estátua
Meia de Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo, campeão da Libertadores de 1999 e da tríplice coroa de 2003, Alex ficou de fora da Copa de 2002 e virou ídolo máximo do Fenerbahçe, com 171 gols em 344 jogos e uma estátua em Istambul. Hoje, é técnico e fala sem rodeios dos jogadores atuais.
Alexsandro de Souza, o Alex, nasceu em Curitiba em 14 de setembro de 1977 e fez uma carreira que o torcedor brasileiro costuma lembrar em dois tempos: o craque de passe e finalização refinados que encantou Palmeiras e Cruzeiro, e o ídolo gigante que o Fenerbahçe, da Turquia, eternizou em bronze. No meio dos dois, uma ausência que ainda dói — a convocação que nunca veio para a Copa do Mundo de 2002. Este é o perfil de um meia que tinha cara de camisa 10, jogava como 10 e marcou gols como se fosse um centroavante.
Os números do meia artilheiro
O dado que mais chama atenção na carreira de Alex é a quantidade de gols para um armador. No Fenerbahçe, a média foi de quase um gol a cada dois jogos — para um meia, um número típico de atacante — e, na Süper Lig, o campeonato turco, ele é o maior artilheiro estrangeiro da história. Um levantamento estatístico aponta ainda 147 assistências em 344 jogos pelo clube, o que mostra que o meia não se limitava a finalizar: era o homem que armava e concluía as jogadas.
| Equipe | Período | Gols | Títulos |
|---|---|---|---|
| Coritiba | 1995–1997 e 2013–2014 | 69 | — |
| Palmeiras | 1997–2000, com empréstimos em 2001 e 2002 | 73 | Copa do Brasil 1998, Copa Mercosul 1998, Libertadores 1999 e Torneio Rio–São Paulo 2000 |
| Flamengo | 2000 (empréstimo) | 3 | — |
| Cruzeiro | 2001 (empréstimo) e 2002–2004 | 63 | Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonato Mineiro de 2003 |
| Fenerbahçe (Turquia) | 2004–2012 | 171 | Süper Lig 2004–05, 2006–07 e 2010–11, Copa da Turquia 2011–12 e Supercopas 2007 e 2009 |
| Seleção brasileira (cerca de 50 jogos) | 1998–2005 | 12 | Copa América 1999 e 2004 |
O gráfico abaixo mostra a trajetória: o pico no Cruzeiro, em 2003, e a regularidade impressionante na Turquia, com produção alta em cada uma das oito temporadas completas.
- 1995: 6 gols
- 1996: 11 gols
- 1997: 22 gols
- 1998: 19 gols
- 1999: 19 gols
- 2000: 13 gols
- 2001: 17 gols
- 2002: 7 gols
- 2003: 38 gols
- 2004: 19 gols
- 04/05: 28 gols
- 05/06: 20 gols
- 06/07: 20 gols
- 07/08: 18 gols
- 08/09: 17 gols
- 09/10: 21 gols
- 10/11: 28 gols
- 11/12: 17 gols
- 12/13: 2 gols
- 2013: 27 gols
- 2014: 10 gols
A carreira no Brasil
Coritiba e Palmeiras
Alex foi revelado pelo Coritiba, onde jogou de 1995 a 1997, e ainda muito jovem foi para o Palmeiras. Passou ali boa parte do início de carreira e foi parte do time campeão da Copa do Brasil e da Copa Mercosul de 1998 e da Libertadores de 1999, a primeira do clube, antes do Torneio Rio–São Paulo de 2000.
Flamengo e Cruzeiro
Em 2000, passou pelo Flamengo por empréstimo, em uma temporada curta. O auge no Brasil veio mesmo no Cruzeiro, entre 2002 e 2004: em 2003, o time celeste fez a tríplice coroa — Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e Brasileirão —, com Alex como protagonista, e ele ainda levou a Bola de Ouro da revista Placar daquele ano.
A seleção: pouca chance e a ausência que doeu
Alex estreou pela seleção em 23 de setembro de 1998. Participou da Copa América de 1999 e foi titular na conquista da Copa América de 2004, em um time que voltou a contar com ele entre 2003 e 2005. Mesmo assim, o número de jogos é baixo para o tamanho do talento: cerca de 50 partidas em sete anos.
A mágoa ficou por conta da Copa do Mundo de 2002. Alex havia participado das Eliminatórias e já era campeão da Libertadores, mas Luiz Felipe Scolari, que o conhecia bem do Palmeiras e do Cruzeiro, não o convocou. O período de empréstimos sucessivos após a passagem pelo Parma, que impediu sequência em qualquer clube, pesou, mas a ausência é considerada por muita gente uma das maiores injustiças do futebol brasileiro. O Brasil foi pentacampeão sem ele.
"Eu joguei a maioria dos jogos, era um treinador que me conhecia, que em várias conversas deixou sempre a entender que eu participaria."
— Alex, sobre a não convocação para a Copa de 2002
Fenerbahçe: o ídolo da Turquia
Se o Brasil não deu a Alex a atenção que muitos achavam justa, a Turquia deu em dobro. Ele chegou ao Fenerbahçe em 2004 e ficou oito temporadas, até 2012. Foi campeão da Süper Lig em 2004–05, 2006–07 e 2010–11 — nessa última, como artilheiro do campeonato —, levou a Copa da Turquia de 2011–12 e duas Supercopas, em 2007 e 2009.
A idolatria virou monumento: em 15 de setembro de 2012, a torcida inaugurou uma estátua dele no Parque Yoğurtçu, em Kadıköy, em Istambul, quando ele ainda estava em atividade. O fim da passagem foi turbulento — uma divergência com o técnico Aykut Kocaman sobre o sistema de jogo levou à rescisão de contrato, em 1º de outubro de 2012 —, mas o carinho da torcida nunca arrefeceu. Para o torcedor do Fener, Alex é uma das grandes figuras da história do clube.
A volta ao Coritiba e a aposentadoria
Em 2013, Alex voltou ao Coritiba e jogou lá até o fim da carreira: foram cerca de 85 jogos em duas temporadas. Pendurou as chuteiras em dezembro de 2014, pelo Coritiba, em uma vitória por 3 a 2 sobre o Bahia.
Depois dos gramados: técnico
| Período | Clube |
|---|---|
| 2021–2022 | São Paulo (sub-20) |
| 2022–2023 | Avaí |
| 2024–2025 | Antalyaspor (Turquia) |
| 2025–2026 | Operário-PR |
| Desde fevereiro de 2026 | Athletic-MG |
Como técnico, Alex começou pelas categorias de base do São Paulo, passou pelo Avaí, voltou à Turquia no Antalyaspor, comandou o Operário-PR e, desde fevereiro de 2026, dirige o Athletic-MG. É um treinador com opinião forte sobre o jogo e sobre o comportamento dos atletas.
As críticas aos jogadores de hoje
Recentemente, Alex tem falado com franqueza sobre a nova geração. Em maio de 2026, depois do empate por 1 a 1 do Athletic com o Vila Nova, em Goiânia, na Série B, criticou o número de expulsões do time e cobrou postura dos jogadores.
"Me incomoda muito. Cobro comportamento e responsabilidade dos jogadores."
— Alex, técnico do Athletic-MG, em maio de 2026
Em setembro, ele também falou sobre a formação de novos craques no Brasil, atribuindo a escassez à falta de paciência com os garotos e à troca constante de treinadores na base.
"A partir do momento que você fica na base trocando de treinador a todo momento, o próprio menino, a fase de aprendizado dele acaba se perdendo."
— Alex, sobre a formação de jogadores, em setembro de 2026
Alex também já alertou para os riscos das apostas esportivas entre atletas, dizendo que viu jogadores com problemas, durante e depois da carreira, e classificou o tema com uma palavra: perigoso. Do meia que não foi à Copa, sobrou o treinador que cobra, ensina e, pelo menos para os turcos, nunca deixou de ser lenda.
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