
Careca: do Guarani campeão ao Napoli de Maradona, o centroavante dos 394 gols
Campeão brasileiro aos 17 anos com o Guarani, artilheiro do Brasileirão de 1986 pelo São Paulo, vice-artilheiro da Copa do México e parceiro de Maradona no Napoli campeão italiano. O perfil de Careca, o camisa 9 elegante que encantou Brasil e Itália.
Antônio de Oliveira Filho nasceu em Araraquara, em 5 de outubro de 1960, e virou Careca — o camisa 9 de classe, de passe fácil e finalização dos dois pés. Começou no Guarani, de Campinas, foi campeão brasileiro ainda adolescente, brilhou no São Paulo, virou astro da seleção na Copa de 1986 e conquistou a Itália ao lado de Maradona. Sem ganhar uma Copa, fez uma carreira que o coloca entre os grandes centroavantes do futebol brasileiro. Este é o perfil de um artilheiro que jogou com elegância.
Os números do camisa 9
| Equipe | Período | Gols |
|---|---|---|
| Guarani | 1978–1982 | 114 |
| São Paulo | 1983–1987 | 107 |
| Napoli (Itália) | 1987–1993 | 96 |
| Kashiwa Reysol (Japão) | 1993–1996 | 40 |
| Santos e Campinas | 1997–1999 | 8 |
| Seleção brasileira (cerca de 60 jogos) | 1982–1990 | 29 |
- 1978: 25 gols
- 1979: 16 gols
- 1980: 23 gols
- 1981: 21 gols
- 1982: 29 gols
- 1983: 27 gols
- 1984: 12 gols
- 1985: 35 gols
- 1986: 30 gols
- 1987: 3 gols
- 87/88: 18 gols
- 88/89: 27 gols
- 89/90: 12 gols
- 90/91: 12 gols
- 91/92: 17 gols
- 92/93: 10 gols
- 1993: 5 gols
- 1994: 20 gols
- 1995: 10 gols
- 1996: 5 gols
- 1997: 2 gols
- 1998: 6 gols
O gráfico mostra a regularidade de um artilheiro: já aos 17 anos fazia gols no Guarani, teve o auge no São Paulo, em 1985 e 1986, e manteve produção alta no Napoli, com o pico na temporada 88/89. No Japão, mesmo no fim de carreira, ainda teve a melhor temporada de lá em 1994.
Os títulos
| Equipe | Títulos |
|---|---|
| Guarani | Campeonato Brasileiro 1978 e Série B 1981 |
| São Paulo | Campeonato Brasileiro 1986 e Campeonato Paulista 1985 e 1987 |
| Napoli | Copa da UEFA 1988–89 e Campeonato Italiano 1989–90 |
| Individuais | Artilheiro do Paulista de 1985 e do Brasileirão de 1986 e vice-artilheiro da Copa do Mundo de 1986 |
Guarani: o campeão do interior
Careca começou no Guarani em 1978, sob o comando de Carlos Alberto Silva, num time humilde que viveu um conto de fadas: foi campeão brasileiro e continua, até hoje, o único clube do interior a ganhar o título nacional. Ele tinha apenas 17 anos. Voltou a ser campeão com o clube na Série B, em 1981.
São Paulo: a artilharia de 1986
Em 1983, Careca foi para o São Paulo, e logo no primeiro ano igualou o total de gols de Zico no Brasileirão. Em 1985, foi o artilheiro do Campeonato Paulista, que o time ganhou. Em 1986, levou o Brasileirão, com a artilharia do torneio, e o título saiu, por ironia, numa decisão por pênaltis contra o clube que o revelou, o Guarani.
Pela seleção: a Copa de 1986
Careca estreou pelo Brasil em 21 de março de 1982, contra a Alemanha Ocidental, mas uma lesão no joelho o tirou da Copa da Espanha. Em 1983, foi vice-campeão da Copa América. Seu torneio de glória foi o de 1986, no México.
| Copa | Gols de Careca | O que ficou |
|---|---|---|
| 1982 (Espanha) | — | Cortado por lesão no joelho, depois da estreia pela seleção meses antes. |
| 1986 (México) | 5 | Vice-artilheiro da Copa, atrás só de Gary Lineker. Gols na Argélia, dois na Irlanda do Norte, na Polônia e na França, nas quartas de final. O Brasil perdeu nos pênaltis. |
| 1990 (Itália) | 2 | Fez os dois gols da estreia contra a Suécia. O Brasil caiu nas oitavas de final, diante da Argentina de Maradona. |
Napoli: a parceria com Maradona
Em 1987, Careca foi para o Napoli e formou com Maradona e Giordano o tridente que a imprensa chamou de MA-GI-CA, pelas iniciais dos três. Ganhou a Copa da UEFA em 1988–89 e o campeonato italiano em 1989–90. O irônico da história é que, na seleção, ele e Maradona eram adversários — mas fora de campo ficaram amigos, nascidos com 25 dias de diferença.
"Antonio foi um fenômeno e um amigo. Um dos melhores companheiros que tive em toda a minha carreira."
— Diego Maradona, sobre Careca (tradução livre)
Longevidade e a vida depois do futebol
Depois da Itália, Careca foi para o Japão e jogou no Kashiwa Reysol de 1993 a 1996, onde teve sua melhor temporada em 1994. Ainda passou pelo Santos e fundou o Campinas Futebol Clube, em 1998. Desde 2010, é comentarista de televisão, e continua a ser lembrado como o centroavante que fez do Brasil um time fascinante em 1986.
"Com Maradona ao meu lado, hoje eu faria mais de 35 gols por ano. Diego jogava com uma perna só."
— Careca, sobre a parceria com Maradona (tradução livre)
Careca nunca ganhou uma Copa do Mundo, mas ganhou o respeito de quem jogou ao lado dele. Em um futebol em que a camisa 9 virou sinônimo de força, ele provou que também podia ser sinônimo de elegância.
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