
Romário: o Baixinho que decidiu a Copa de 94 e fez mil gols
Melhor do mundo em 1994, Bola de Ouro da Copa dos Estados Unidos, artilheiro de Vasco, Flamengo, PSV e Barcelona e dono do milésimo gol mais famoso do futebol brasileiro. O perfil de Romário, o centroavante que fez da pequena área um território privado.
Romário de Souza Faria nasceu no Rio de Janeiro em 29 de janeiro de 1966 e fez uma carreira que cabe numa frase: ele sempre estava onde a bola ia cair. Baixinho, rápido no primeiro passo e frio na finalização, foi o artilheiro mais letal da sua geração — e também o mais irreverente. Foi o grande nome da Copa de 1994, foi eleito o melhor do mundo naquele ano e chegou a mil gols de um jeito só dele, com pênalti, show e jogo parado por vinte minutos. Este é o perfil de um centroavante que transformou a área em casa.
Os números do Baixinho
| Equipe | Período | Gols |
|---|---|---|
| Vasco | 1985–1988, 2000–2002 e 2005–2007 | 265 |
| PSV Eindhoven (Holanda) | 1988–1993 | 128 |
| Barcelona | 1993–1995 | 39 |
| Flamengo | 1995–1999 | 184 |
| Valencia (Espanha) | 1996–1998 | 6 |
| Fluminense | 2002–2004 | 47 |
| Miami FC (EUA) | 2006 | 19 |
| Seleção brasileira (cerca de 70 jogos) | 1987–2005 | 55 |
- 1985: 11 gols
- 1986: 30 gols
- 1987: 23 gols
- 1988: 16 gols
- 88/89: 26 gols
- 89/90: 31 gols
- 90/91: 30 gols
- 91/92: 9 gols
- 92/93: 32 gols
- 93/94: 32 gols
- 1995: 44 gols
- 1996: 31 gols
- 1997: 39 gols
- 1998: 37 gols
- 1999: 46 gols
- 2000: 65 gols
- 2001: 40 gols
- 2002: 42 gols
- 2003: 18 gols
- 2004: 13 gols
- 2005: 30 gols
- 2006: 28 gols
- 2007: 16 gols
O gráfico mostra uma carreira feita de picos. A explosão no PSV, o auge no Barcelona, o retorno ao Brasil e uma segunda juventude no Vasco, em 2000, o ano mais prolífico da carreira, com o título brasileiro. Aos 41 anos, em 2007, ele ainda estava em campo, fazendo gol.
Os títulos e os prêmios
| Equipe | Títulos e prêmios |
|---|---|
| Barcelona | La Liga 1993–94, com a artilharia do campeonato |
| Vasco | Campeonato Brasileiro 2000 |
| Seleção brasileira | Copa América 1989, Copa das Confederações 1997 e Copa do Mundo 1994 |
| Individuais | Melhor do Mundo da Fifa e Bola de Ouro da Copa de 1994, seleção do torneio em 1994 e FIFA 100 em 2004 |
Barcelona, 1993: o hat-trick contra o Real Madrid
Romário chegou ao Barcelona em 1993, para o Dream Team de Johan Cruyff, depois de brilhar no PSV, e foi o artilheiro do campeonato espanhol, que o time ganhou. O jogo que resume a fase é o Barcelona 5 x 0 Real Madrid, de 8 de janeiro de 1994, no Camp Nou. Ele fez três gols — o primeiro, aos 24 minutos, depois de um passe de Guardiola, com uma meia-volta que ficou conhecida como "cola de vaca", o drible de arrastar a bola com o peito do pé e girar 180 graus.
"Um gênio da grande área."
— Johan Cruyff, sobre Romário (tradução livre)
O caminho até a Copa: a convocação que quase não veio
Romário quase ficou de fora do tetra antes de a bola rolar. Depois de um desentendimento com a comissão técnica no fim de 1992, passou amistosos, uma Copa América e um torneio nos Estados Unidos sem ser chamado. Voltou só em setembro de 1993, convocado no lugar do lesionado Müller para o jogo decisivo contra o Uruguai, no Maracanã, pelas Eliminatórias. Fez os dois gols da vitória por 2 a 0, garantiu a vaga do Brasil na Copa e, anos depois, chamou aquela atuação de a melhor da carreira.
Copa de 1994: o dono do torneio
| Copa | Gols de Romário | O que ficou |
|---|---|---|
| 1994 (EUA) | 5 | Campeão do mundo e Bola de Ouro do torneio. Converteu o seu pênalti na decisão contra a Itália, nas cobranças alternadas. |
| 1998 (França) | — | Cortado da lista final por causa de uma lesão muscular, antes do torneio. |
| 2002 (Coreia do Sul e Japão) | — | Ficou de fora da convocação de Felipão e viu o penta de fora. |
Um dos momentos mais lembrados daquela campanha nem foi gol dele: nas quartas de final, contra a Holanda, o Brasil venceu por 3 a 2 e Bebeto fez a comemoração do bebê, imitando embalar um recém-nascido, em homenagem ao filho que tinha nascido dois dias antes do jogo. Romário correu para comemorar junto, ao lado de Mazinho, e a cena ficou marcada como símbolo daquele tetra.
A Copa de 1994 foi o auge. Aos 28 anos, Romário foi o melhor jogador do torneio, com gols decisivos em jogos grandes, e deu ao Brasil o tetra, 24 anos depois do tri. Naquele ano, a Fifa o elegeu o melhor do mundo. Quatro anos depois, uma lesão o tirou da Copa da França; em 2002, ficou fora da convocação, e o penta saiu sem ele.
Pela seleção: o maior parceiro de ataque
Romário estreou pelo Brasil em 1987 e ganhou a Copa América de 1989 com o gol da final, contra o Uruguai. Em 1997, foi o artilheiro da Copa das Confederações, numa dupla com Ronaldo. Foram pouco mais de 70 jogos pelo Brasil, e sua despedida da seleção foi em 27 de abril de 2005, contra a Guatemala, como capitão, com mais um gol.
O milésimo gol, em 2007
Em 20 de maio de 2007, aos 41 anos, Romário fez o gol de número 1.000 da sua contagem, de pênalti, pelo Vasco, contra o Sport, em São Januário. O jogo ficou parado por mais de vinte minutos para a festa. A Fifa reconhece 929 gols em jogos profissionais; os mil de Romário incluem amistosos e partidas fora do calendário oficial.
"Quando eu nasci, o cara lá de cima apontou para mim e disse: esse é o cara."
— Romário, sobre si mesmo (tradução livre)
Longevidade e a vida depois do futebol
Romário jogou até os 43 anos: seu último jogo oficial foi pelo América-RJ, em 2009. Já tinha passado por Fluminense, Miami FC e Adelaide United, no fim da carreira. Fora de campo, virou político: foi deputado federal de 2011 a 2015 e senador a partir de 2015.
Romário é, para quem o viu jogar, o artilheiro que transformava pouco em muito: uma bola, um espaço mínimo e o gol. Em 1994, o Brasil o seguiu até o tetra.
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