
Raí: o capitão do São Paulo campeão do mundo em 1992 e ídolo do Paris Saint-Germain
Capitão do São Paulo de Telê Santana, bicampeão da Libertadores (1992 e 1993) e campeão mundial de 1992, ídolo do PSG e campeão do mundo com a seleção em 1994. O perfil de Raí, o meia que marcou duas vezes na final do Mundial e carregou o peso de ser irmão de Sócrates.
Raí Souza Vieira de Oliveira nasceu em Ribeirão Preto, em 15 de maio de 1965, e foi, durante uma década, o rosto de dois dos times mais respeitados do mundo: o São Paulo de Telê Santana e o Paris Saint-Germain dos anos 1990. Alto, elegante, de passe preciso e finalização forte, era o armador que sabia também decidir. Ainda carregou, desde cedo, o peso de ser irmão mais novo de Sócrates, o craque que ele sempre admirou. Este é o perfil de um capitão que ganhou o mundo e depois ajudou a mudar a vida de crianças pelo esporte.
Os números do capitão
| Equipe | Período | Gols |
|---|---|---|
| Botafogo-SP | 1984–1987 | 17 |
| Ponte Preta (empréstimo) | 1986 | 1 |
| São Paulo | 1987–1993 e 1998–2000 | 108 |
| Paris Saint-Germain | 1993–1998 | 79 |
| Seleção brasileira (cerca de 50 jogos) | 1987–1998 | 17 |
- 1984: 0 gols
- 1985: 3 gols
- 1986: 11 gols
- 1987: 5 gols
- 1988: 9 gols
- 1989: 6 gols
- 1990: 7 gols
- 1991: 27 gols
- 1992: 26 gols
- 1993: 17 gols
- 93/94: 8 gols
- 94/95: 14 gols
- 95/96: 18 gols
- 96/97: 16 gols
- 97/98: 23 gols
- 1998: 4 gols
- 1999: 7 gols
- 2000: 4 gols
O gráfico mostra a explosão em 1991 e 1992, os anos do título brasileiro e do Mundial, a transição para a França, onde a produção cresce de novo até a temporada 1997/98, e o retorno ao São Paulo, já na reta final da carreira.
Os títulos
| Equipe | Títulos |
|---|---|
| São Paulo | Libertadores 1992 e 1993, Mundial de Clubes 1992, Campeonato Brasileiro 1991 e Campeonato Paulista 1987, 1989, 1991, 1992, 1998 e 2000 |
| Paris Saint-Germain | Campeonato Francês 1993–94, Copa da França 1994–95 e 1997–98, Copa da Liga 1994–95 e 1997–98 e Recopa Europeia 1995–96 |
| Seleção brasileira | Copa do Mundo 1994 |
| Individuais | Melhor Jogador da América do Sul em 1992 e melhor jogador da final do Mundial de 1992 |
São Paulo: a era Telê
Raí chegou ao São Paulo em 1987 e virou o craque do time com a chegada de Telê Santana, em 1990. Em 1991, teve papel central no título brasileiro. Em 1992, levou o clube à primeira Libertadores de sua história e, em seguida, ao Mundial. Em 1993, repetiu o título continental, antes de ir para a França.
São Paulo 2 x 1 Barcelona, em 1992
Em 13 de dezembro de 1992, no Estádio Nacional de Tóquio, o São Paulo enfrentou o Barcelona de Johan Cruyff, campeão europeu. Stoichkov abriu o placar, mas Raí virou o jogo com dois gols — o segundo aos 34 minutos do segundo tempo — e deu ao clube o primeiro título mundial de sua história. Foi eleito o melhor em campo.
A Libertadores de 1993
A segunda Libertadores veio contra a Universidad Católica, do Chile. Na ida, em 19 de maio de 1993, no Morumbi, o São Paulo goleou por 5 a 1, com um gol de Raí aos 60 minutos. Na volta, em 26 de maio, em Santiago, perdeu por 2 a 0, mas levou o título pelo agregado de 5 a 3.
Um ano antes, na final de 1992 contra o Newell's Old Boys, Raí também havia marcado, e o título saíra nos pênaltis, por 3 a 2.
Paris Saint-Germain: o ídolo da França
Em 1993, depois da segunda Libertadores, Raí foi para o PSG e viveu ali cinco temporadas de brilho. Foi campeão francês na primeira, levou duas Copas da França e duas da Liga e, na temporada 1995–96, a Recopa Europeia. Foi eleito o melhor jogador estrangeiro do campeonato francês em 1995 e 1997 e virou uma figura querida em Paris, a ponto de ser lembrado até hoje por torcedores do clube.
Pela seleção: o capitão da Copa de 1994
Raí estreou pela seleção em 1987 e chegou à Copa de 1994 como capitão e camisa 10. Marcou de pênalti contra a Rússia, na vitória por 2 a 0, mas perdeu a vaga de titular depois da fase de grupos. Mesmo assim, entrou durante o torneio e fez parte do elenco campeão do mundo, o tetra.
| Copa | Gols de Raí | O que ficou |
|---|---|---|
| 1994 (EUA) | 1 | Capitão e camisa 10 do Brasil, marcou de pênalti contra a Rússia. Perdeu a posição de titular depois da fase de grupos, mas ganhou o tetra. |
"Era como se eu fosse hoje irmão de Neymar ou Messi."
— Raí, sobre a pressão de ser comparado a Sócrates desde jovem
Depois dos gramados
Raí encerrou a carreira em 22 de julho de 2000, no São Paulo. Em 1998, ainda jogador, fundou com Leonardo a Fundação Gol de Letra, que trabalha com educação de crianças e adolescentes por meio do esporte. Entre 2017 e 2021, voltou ao São Paulo como diretor executivo de futebol. Para o irmão, Sócrates, sempre guardou uma admiração que ficou clara quando ele morreu, em 2011:
"Para mim, mais que um irmão, ele sempre foi um ídolo, uma referência."
— Raí, sobre Sócrates, após a morte do irmão (tradução livre)
De Ribeirão Preto a Tóquio e Paris, Raí fez uma carreira de capitão: ganhou títulos, carregou responsabilidades e transformou o nome que levava em uma identidade própria.
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