Raí com a camisa do São Paulo, em 1993
Lendas

Raí: o capitão do São Paulo campeão do mundo em 1992 e ídolo do Paris Saint-Germain

Capitão do São Paulo de Telê Santana, bicampeão da Libertadores (1992 e 1993) e campeão mundial de 1992, ídolo do PSG e campeão do mundo com a seleção em 1994. O perfil de Raí, o meia que marcou duas vezes na final do Mundial e carregou o peso de ser irmão de Sócrates.

Por Redação Guribol · 03 de outubro de 2026 · 8 min de leitura
Editado por Victor Sismotto

Raí Souza Vieira de Oliveira nasceu em Ribeirão Preto, em 15 de maio de 1965, e foi, durante uma década, o rosto de dois dos times mais respeitados do mundo: o São Paulo de Telê Santana e o Paris Saint-Germain dos anos 1990. Alto, elegante, de passe preciso e finalização forte, era o armador que sabia também decidir. Ainda carregou, desde cedo, o peso de ser irmão mais novo de Sócrates, o craque que ele sempre admirou. Este é o perfil de um capitão que ganhou o mundo e depois ajudou a mudar a vida de crianças pelo esporte.

Os números do capitão

EquipePeríodoGols
Botafogo-SP1984–198717
Ponte Preta (empréstimo)19861
São Paulo1987–1993 e 1998–2000108
Paris Saint-Germain1993–199879
Seleção brasileira (cerca de 50 jogos)1987–199817
Raí equipe a equipe
0 gols19843 gols198511 gols19865 gols19879 gols19886 gols19897 gols199027 gols199126 gols199217 gols19938 gols93/9414 gols94/9518 gols95/9616 gols96/9723 gols97/984 gols19987 gols19994 gols2000
  • 1984: 0 gols
  • 1985: 3 gols
  • 1986: 11 gols
  • 1987: 5 gols
  • 1988: 9 gols
  • 1989: 6 gols
  • 1990: 7 gols
  • 1991: 27 gols
  • 1992: 26 gols
  • 1993: 17 gols
  • 93/94: 8 gols
  • 94/95: 14 gols
  • 95/96: 18 gols
  • 96/97: 16 gols
  • 97/98: 23 gols
  • 1998: 4 gols
  • 1999: 7 gols
  • 2000: 4 gols
Gols de Raí pelos clubes, por ano e por temporada (as barras 93/94 a 97/98 são do Paris Saint-Germain; a de 1998 é do São Paulo)

O gráfico mostra a explosão em 1991 e 1992, os anos do título brasileiro e do Mundial, a transição para a França, onde a produção cresce de novo até a temporada 1997/98, e o retorno ao São Paulo, já na reta final da carreira.

Os títulos

EquipeTítulos
São PauloLibertadores 1992 e 1993, Mundial de Clubes 1992, Campeonato Brasileiro 1991 e Campeonato Paulista 1987, 1989, 1991, 1992, 1998 e 2000
Paris Saint-GermainCampeonato Francês 1993–94, Copa da França 1994–95 e 1997–98, Copa da Liga 1994–95 e 1997–98 e Recopa Europeia 1995–96
Seleção brasileiraCopa do Mundo 1994
IndividuaisMelhor Jogador da América do Sul em 1992 e melhor jogador da final do Mundial de 1992
Principais títulos e prêmios de Raí

São Paulo: a era Telê

Raí chegou ao São Paulo em 1987 e virou o craque do time com a chegada de Telê Santana, em 1990. Em 1991, teve papel central no título brasileiro. Em 1992, levou o clube à primeira Libertadores de sua história e, em seguida, ao Mundial. Em 1993, repetiu o título continental, antes de ir para a França.

São Paulo 2 x 1 Barcelona, em 1992

Em 13 de dezembro de 1992, no Estádio Nacional de Tóquio, o São Paulo enfrentou o Barcelona de Johan Cruyff, campeão europeu. Stoichkov abriu o placar, mas Raí virou o jogo com dois gols — o segundo aos 34 minutos do segundo tempo — e deu ao clube o primeiro título mundial de sua história. Foi eleito o melhor em campo.

A Libertadores de 1993

A segunda Libertadores veio contra a Universidad Católica, do Chile. Na ida, em 19 de maio de 1993, no Morumbi, o São Paulo goleou por 5 a 1, com um gol de Raí aos 60 minutos. Na volta, em 26 de maio, em Santiago, perdeu por 2 a 0, mas levou o título pelo agregado de 5 a 3.

Um ano antes, na final de 1992 contra o Newell's Old Boys, Raí também havia marcado, e o título saíra nos pênaltis, por 3 a 2.

Paris Saint-Germain: o ídolo da França

Em 1993, depois da segunda Libertadores, Raí foi para o PSG e viveu ali cinco temporadas de brilho. Foi campeão francês na primeira, levou duas Copas da França e duas da Liga e, na temporada 1995–96, a Recopa Europeia. Foi eleito o melhor jogador estrangeiro do campeonato francês em 1995 e 1997 e virou uma figura querida em Paris, a ponto de ser lembrado até hoje por torcedores do clube.

Pela seleção: o capitão da Copa de 1994

Raí estreou pela seleção em 1987 e chegou à Copa de 1994 como capitão e camisa 10. Marcou de pênalti contra a Rússia, na vitória por 2 a 0, mas perdeu a vaga de titular depois da fase de grupos. Mesmo assim, entrou durante o torneio e fez parte do elenco campeão do mundo, o tetra.

CopaGols de RaíO que ficou
1994 (EUA)1Capitão e camisa 10 do Brasil, marcou de pênalti contra a Rússia. Perdeu a posição de titular depois da fase de grupos, mas ganhou o tetra.
Raí na Copa do Mundo

"Era como se eu fosse hoje irmão de Neymar ou Messi."

— Raí, sobre a pressão de ser comparado a Sócrates desde jovem

Depois dos gramados

Raí encerrou a carreira em 22 de julho de 2000, no São Paulo. Em 1998, ainda jogador, fundou com Leonardo a Fundação Gol de Letra, que trabalha com educação de crianças e adolescentes por meio do esporte. Entre 2017 e 2021, voltou ao São Paulo como diretor executivo de futebol. Para o irmão, Sócrates, sempre guardou uma admiração que ficou clara quando ele morreu, em 2011:

"Para mim, mais que um irmão, ele sempre foi um ídolo, uma referência."

— Raí, sobre Sócrates, após a morte do irmão (tradução livre)

De Ribeirão Preto a Tóquio e Paris, Raí fez uma carreira de capitão: ganhou títulos, carregou responsabilidades e transformou o nome que levava em uma identidade própria.

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