
Pelé: três Copas, mil gols e os recordes do Rei do Futebol
O único jogador tricampeão mundial, autor de 1.279 gols em 1.363 jogos, 77 deles pela seleção, e dono do Santos que ganhou a Libertadores e o Mundial duas vezes. O perfil de Pelé, dos 17 anos na Copa de 1958 ao adeus no Cosmos, em 1977, com os recordes que ele criou.
Edson Arantes do Nascimento nasceu em Três Corações, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1940, e virou Pelé — o Rei. Foi campeão do mundo aos 17 anos, repetiu o feito em 1962 e 1970 e é, até hoje, o único jogador a conquistar três Copas do Mundo. Pelo Santos, foi o centro de um time que ganhou a América e o planeta. Morreu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos, em São Paulo. Este perfil olha, sobretudo, para o que ele fez dentro de campo.
Os números do Rei
Contar os gols de Pelé é uma discussão em si. O total do Guinness Book inclui amistosos e partidas não oficiais, que eram muito comuns na época, enquanto os números por equipe abaixo contam só competições oficiais. Pelo Santos, ele é a maior marca de um jogador por um único clube, até ser superada por Lionel Messi, em 2020. Pela seleção, o recorde durou mais de 50 anos, até Neymar superá-lo, em 2023.
| Equipe | Jogos | Gols |
|---|---|---|
| Santos (1956–1974) | 659 | 643 |
| New York Cosmos (1975–1977) | 64 | 37 |
| Seleção brasileira (1957–1971) | 92 | 77 |
| Total da carreira, com amistosos (Guinness) | 1.363 | 1.279 |
- 1957: 41 gols
- 1958: 66 gols
- 1959: 53 gols
- 1960: 33 gols
- 1961: 62 gols
- 1962: 48 gols
- 1963: 51 gols
- 1964: 44 gols
- 1965: 63 gols
- 1966: 14 gols
- 1967: 24 gols
- 1968: 30 gols
- 1969: 40 gols
- 1970: 11 gols
- 1971: 7 gols
- 1972: 14 gols
- 1973: 26 gols
- 1974: 15 gols
O gráfico mostra a fase mais voraz no início da carreira, com picos em 1958, 1961 e 1965, e a queda de produção depois da Copa de 1966 e nos anos finais no Santos, quando o craque já dividia o calendário com a seleção e com as excursões. Pela seleção, o aproveitamento é de outro planeta: em 92 jogos, o Brasil venceu 67, empatou 14 e perdeu 11 — e o time nunca perdeu quando Pelé e Garrincha jogaram juntos.
Os recordes que ele criou
- Único jogador tricampeão mundial: 1958, 1962 e 1970.
- Mais jovem a marcar em uma Copa do Mundo: 17 anos e 239 dias, contra o País de Gales, em 1958.
- Mais jovem a fazer um hat-trick em Copas: 17 anos e 244 dias, contra a França, na semifinal de 1958.
- Mais jovem a marcar em uma final de Copa: 17 anos e 249 dias, contra a Suécia.
- Maior artilheiro da história do Santos em competições oficiais.
- Maior artilheiro da seleção brasileira por mais de 50 anos.
Três Copas, três histórias
| Copa | Gols de Pelé | O que ficou |
|---|---|---|
| 1958 (Suécia) | 6 | Campeão aos 17 anos. Gol da vitória por 1 a 0 sobre o País de Gales nas quartas, três gols na França na semifinal (5 a 2) e dois na final, na vitória por 5 a 2 sobre a Suécia, em 29 de junho. |
| 1962 (Chile) | 1 | Campeão, mas se machucou na segunda partida, contra a Tchecoslováquia, e saiu do torneio. Amarildo assumiu a vaga e foi o vice-artilheiro da Copa. |
| 1966 (Inglaterra) | 1 | Marcou contra a Bulgária (2 a 0), foi caçado em campo e perdeu o jogo seguinte. O Brasil caiu na primeira fase. |
| 1970 (México) | 4 | Campeão com seis assistências. Na final, abriu o placar de cabeça e deu o passe para o quarto gol, de Carlos Alberto, na vitória por 4 a 1 sobre a Itália. |
A de 1958 é a que mais impressiona pela idade: com 17 anos, Pelé foi o jogador mais jovem a marcar e a ser campeão. A de 1970 é a da consagração: o craque já maduro, no melhor time de todos os tempos para muita gente, fechou a carreira em Copas como único tri.
"Pelé é o melhor jogador de todos os tempos. Reinou supremo por 20 anos. Todos os outros — Diego Maradona, Johan Cruyff, Michel Platini — ficam abaixo dele."
— Franz Beckenbauer, em entrevista à revista Placar, 2003
O Santos: de 1956 a 1974
Pelé ficou 18 anos no Santos, de 1956 a 1974, e transformou o clube da Vila Belmiro em uma potência mundial. Foram campeonatos paulistas em 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1967, 1968 e 1969, cinco Taças Brasil seguidas, de 1961 a 1965, as duas primeiras Libertadores do clube, em 1962 e 1963, e dois títulos mundiais interclubes, nos mesmos anos.
| Título | Anos |
|---|---|
| Copa Libertadores | 1962 e 1963 |
| Copa Intercontinental (Mundial) | 1962 e 1963 |
| Taça Brasil | 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965 |
| Campeonato Paulista | 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1967, 1968 e 1969 |
Jogos que ficaram na história
Santos 5 x 2 Benfica, em Lisboa, 1962
O Mundial de Clubes de 1962 teve duas partidas contra o Benfica, campeão europeu. No Maracanã, em 19 de setembro, o Santos venceu por 3 a 2, com dois gols de Pelé, aos 31 e aos 85 minutos. Em 11 de outubro, no Estádio da Luz, ele fez três (aos 15, 25 e 64 minutos) na vitória por 5 a 2 e levou o título. A atuação em Lisboa é considerada uma das maiores da história da competição.
O milésimo gol, 1969
Em 19 de novembro de 1969, no Maracanã, em um jogo do Santos contra o Vasco, Pelé fez seu milésimo gol. Foi aos 34 minutos do segundo tempo, de pênalti, no canto esquerdo do goleiro Andrada, que ainda tocou na bola. O Santos venceu por 2 a 1, 65.157 pessoas estavam no estádio e os jornalistas, atrás do gol, colocaram o craque nos ombros. A Fifa lhe entregou um diploma assinado pelo então presidente, Sir Stanley Rous.
O adeus ao Santos, 1974
Em 2 de outubro de 1974, na Vila Belmiro, o Santos venceu a Ponte Preta por 2 a 0, e Pelé jogou pouco mais de 20 minutos. Ele pegou a bola com as mãos, ajoelhou-se no centro do campo, abriu os braços para agradecer à torcida e deu uma volta olímpica antes de sair.
O New York Cosmos, 1975 a 1977
A aposentadoria não durou. Em 10 de junho de 1975, o Cosmos anunciou a contratação de Pelé por três anos, num contrato de US$ 4,75 milhões, com ajuda do então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, que escreveu ao governo brasileiro. Pela liga norte-americana, a NASL, ele conquistou o título de 1977, no Soccer Bowl, com vitória por 2 a 1 sobre o Seattle Sounders, em 28 de agosto. Pelé ajudou a tornar o futebol conhecido nos Estados Unidos.
A despedida foi em 1º de outubro de 1977, no Giants Stadium, em Nova Jersey, diante de 75.646 pessoas, sob chuva forte. Pelé jogou um tempo pelo Cosmos e outro pelo Santos, os dois únicos clubes profissionais de sua carreira. Fez um gol de falta aos 42 minutos do primeiro tempo e empatou em 1 a 1, e o Cosmos venceu o amistoso por 2 a 1.
"Pelé foi o único jogador de futebol que ultrapassou os limites da lógica."
— Johan Cruyff, sobre Pelé
Depois de jogar
Fora de campo, Pelé virou embaixador: representou a ONU para ecologia e meio ambiente em 1992 e foi embaixador da boa vontade da Unesco em 1994. Entre 1995 e 1998, foi Ministro Extraordinário do Esporte do Brasil, e a Lei Pelé, de 1998, modernizou as regras do futebol no país. Recebeu o título de Atleta do Século do Comitê Olímpico Internacional, em 1999, e foi eleito, em 2000, jogador do século pela Fifa, ao lado de Diego Maradona.
"Há Pelé, o homem, e depois há Pelé, o jogador. E jogar como Pelé é jogar como Deus."
— Michel Platini, sobre Pelé (tradução livre)
Pelé é o tipo de lenda que o número sozinho não explica — mas, no caso dele, os números ajudam: três Copas, dois Mundiais de Clubes e mais de mil gols.
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