
Rivaldo: a Bola de Ouro de 1999, o penta de 2002 e a bicicleta mais famosa do Camp Nou
Melhor jogador do mundo em 1999, 130 gols pelo Barcelona, campeão do mundo em 2002 e dono de um dos hat-tricks mais lembrados da história, contra o Valencia. O perfil de Rivaldo, o canhoto de Recife que jogou até os 43 anos.
Rivaldo Vítor Borba Ferreira nasceu em Recife em 19 de abril de 1972 e fez uma carreira que parece de roteiro: começou no Nordeste, brilhou no Palmeiras, virou ídolo do Barcelona, ganhou a Bola de Ouro, foi campeão do mundo e só pendurou as chuteiras aos 43 anos. Canhoto, de chute potente e drible curto, jogava de meia, de ponta ou de segundo atacante com a mesma eficiência. Este é o perfil de um craque que decidiu jogos grandes em vários continentes.
Os números do canhoto
| Equipe | Período | Gols |
|---|---|---|
| Corinthians (empréstimo) | 1993–1994 | 20 |
| Palmeiras | 1994–1996 | 61 |
| Deportivo La Coruña | 1996–1997 | 22 |
| Barcelona | 1997–2002 | 130 |
| Milan | 2002–2004 | 8 |
| Olympiacos (Grécia) | 2004–2007 | 43 |
| AEK Atenas (Grécia) | 2007–2008 | 15 |
| Bunyodkor (Uzbequistão) | 2008–2010 | 42 |
| São Paulo (empréstimo) | 2011 | 7 |
| Kabuscorp (Angola) | 2012 | 11 |
| Seleção brasileira (74 jogos) | 1993–2003 | 35 |
- 1993: 16 gols
- 1994: 21 gols
- 1995: 24 gols
- 1996: 23 gols
- 96/97: 22 gols
- 97/98: 28 gols
- 98/99: 29 gols
- 99/00: 23 gols
- 00/01: 36 gols
- 01/02: 14 gols
- 02/03: 8 gols
- 2004: 2 gols
- 04/05: 15 gols
- 05/06: 11 gols
- 06/07: 17 gols
- 07/08: 15 gols
- 2008: 9 gols
- 2009: 22 gols
- 2010: 11 gols
- 2011: 7 gols
- 2012: 11 gols
- 2013: 2 gols
- 2014: 0 gols
- 2015: 1 gols
O gráfico mostra o auge no Barcelona, com a temporada 2000/01 no topo, a queda gradual a partir da saída da Catalunha e uma segunda vida na Grécia e no Uzbequistão. Mesmo no fim, já no Brasil e em Angola, ele continuava a fazer gols — uma longevidade rara para um jogador que também carregava o desgaste de joelhos muito exigidos.
Os títulos
| Equipe | Títulos |
|---|---|
| Palmeiras | Campeonato Brasileiro 1994 |
| Barcelona | La Liga 1997–98 e 1998–99 e Copa do Rei 1997–98 |
| Milan | Liga dos Campeões 2002–03 |
| Seleção brasileira | Copa das Confederações 1997, Copa América 1997 e 1999 e Copa do Mundo 2002 |
| Individuais | Bola de Ouro e Melhor do Mundo da Fifa, ambos em 1999 |
Barcelona e a Bola de Ouro de 1999
Rivaldo chegou ao Barcelona em 1997, depois de uma temporada no Deportivo La Coruña, e foi campeão espanhol já na primeira e na segunda temporadas. Em 1999, no auge, ganhou a Bola de Ouro da France Football e o prêmio de melhor do mundo da Fifa — o título individual mais cobiçado do futebol.
"Ser campeão do mundo é sempre muito importante, mas ser considerado o melhor jogador do mundo é algo que qualquer jogador deseja."
— Rivaldo, sobre 1999
Barcelona 3 x 2 Valencia, em 2001
Em 17 de junho de 2001, na última rodada da La Liga, o Barcelona precisava vencer o Valencia para garantir uma vaga na Liga dos Campeões. Rivaldo resolveu sozinho: fez os três gols da vitória por 3 a 2 — uma falta de longe, um chute de fora da área e, já nos minutos finais, uma bicicleta de fora da área que parou o Camp Nou. O terceiro gol é lembrado como um dos mais bonitos da história do clube, e a atuação, como um dos melhores hat-tricks do futebol.
Pela seleção: duas Copas América e duas Copas do Mundo
Rivaldo estreou pela seleção em 16 de dezembro de 1993, contra o México, e foi campeão da Copa das Confederações e da Copa América de 1997. Em 1999, na Copa América do Paraguai, foi eleito o melhor jogador do torneio e fez dois gols na final.
"Meu momento mais marcante foi a final da competição, foi um momento legal, onde marquei dois gols."
— Rivaldo, sobre a Copa América de 1999
| Copa | Gols de Rivaldo | O que ficou |
|---|---|---|
| 1998 (França) | 3 | Vice-campeão: o Brasil perdeu a final para a França. Entrou no time ideal da Copa. |
| 2002 (Coreia do Sul e Japão) | 5 | Campeão: o penta. Formou o trio dos três Rs com Ronaldo e Ronaldinho e entrou de novo no time ideal do torneio. |
Em 2002, Rivaldo foi peça-chave da campanha do penta. Nas quartas de final, contra a Inglaterra, empatou o jogo no fim do primeiro tempo, após um passe de Ronaldinho. Na final, contra a Alemanha, foi dele o chute de fora da área que o goleiro Kahn largou nos pés de Ronaldo, no primeiro gol do Brasil.
Longevidade: jogar até os 43
Poucos jogadores jogam em alto nível tantos anos. Depois do Barcelona e do Milan, onde ganhou a Champions de 2002–03, Rivaldo rodou por Olympiacos, AEK, Bunyodkor e voltou ao Brasil, no São Paulo, em 2011. Em 2014, anunciou a aposentadoria, mas voltou para jogar no Mogi Mirim, o clube onde começou no futebol paulista. Em 15 de julho de 2015, aos 43 anos, jogou ao lado do filho Rivaldinho numa vitória por 3 a 1 sobre o Macaé: Rivaldo fez um gol e o filho fez dois. Em agosto daquele ano, as dores nos joelhos o fizeram parar de vez.
Rivaldo deixou o futebol como um dos jogadores mais completos que o Brasil já teve: canhoto raro, decisivo nas finais e com o hábito de fazer gols que ninguém esperava.
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