
Ronaldinho Gaúcho: o mágico que fez o Bernabéu aplaudir de pé
Bola de Ouro e melhor do mundo em 2005, campeão da Champions com o Barcelona, campeão do mundo em 2002 e da Libertadores de 2013 com o Atlético-MG. O perfil de Ronaldinho Gaúcho, o craque que jogava sorrindo e transformou drible, passe e falta em espetáculo.
Ronaldo de Assis Moreira nasceu em Porto Alegre em 21 de março de 1980 e virou Ronaldinho Gaúcho — o craque que jogava sorrindo. Driblava como quem brincava, dava passes que ninguém via e batia falta com uma precisão que desafiava goleiros. Entre 2004 e 2006, foi o melhor do mundo sem discussão: levou o Barcelona de volta aos títulos, ganhou a Bola de Ouro e fez a torcida do maior rival aplaudir de pé. Este é o perfil de um jogador que fez do futebol uma festa.
Os números do mágico
| Equipe | Período | Gols |
|---|---|---|
| Grêmio | 1998–2001 | 58 |
| Paris Saint-Germain | 2001–2003 | 25 |
| Barcelona | 2003–2008 | 94 |
| Milan | 2008–2011 | 26 |
| Flamengo | 2011–2012 | 28 |
| Atlético-MG | 2012–2014 | 27 |
| Querétaro (México) | 2015 | 8 |
| Seleção brasileira (97 jogos) | 1999–2013 | 33 |
- 1998: 6 gols
- 1999: 22 gols
- 2000: 28 gols
- 2001: 2 gols
- 01/02: 13 gols
- 02/03: 12 gols
- 03/04: 22 gols
- 04/05: 13 gols
- 05/06: 26 gols
- 06/07: 24 gols
- 07/08: 9 gols
- 08/09: 10 gols
- 09/10: 15 gols
- 2011: 22 gols
- 2012: 16 gols
- 2013: 17 gols
- 2014: 1 gols
- 2015: 8 gols
O gráfico mostra a curva de um craque que explodiu no Grêmio, em 2000, e atingiu o auge no Barcelona, com o pico na temporada 2005/06, a da Champions. A produção cai nos anos de Milan, mas ele ainda renasceu no Flamengo, em 2011, e no Atlético-MG, em 2013, já aos 33 anos. As assistências ajudam a contar a história de um armador: em 2004/05, por exemplo, ele deu mais passes para gol do que fez gols.
Os títulos
| Equipe | Títulos |
|---|---|
| Barcelona | La Liga 2004–05 e 2005–06 e Liga dos Campeões 2005–06 |
| Atlético-MG | Copa Libertadores 2013, Campeonato Mineiro 2013 e Recopa Sul-Americana 2014 |
| Seleção brasileira | Copa América 1999, Copa do Mundo 2002 e Copa das Confederações 2005 |
| Individuais | Bola de Ouro 2005, Melhor do Mundo da Fifa em 2004 e 2005 e Melhor Jogador da América do Sul em 2013 |
Barcelona: a era Ronaldinho
Quando chegou ao Barcelona, em 2003, o clube vivia anos sem título. Cinco temporadas depois, tinha duas La Ligas, uma Champions e o time que, mais tarde, seria a base da era de Messi. Foi Ronaldinho quem abriu esse caminho — e quem viu, em campo, o garoto Lionel crescer ao lado dele. Ganhou a Bola de Ouro de 2005, eleito pela revista France Football, e o prêmio de melhor do mundo da Fifa em 2004 e 2005.
Real Madrid 0 x 3 Barcelona, em 2005
Em 19 de novembro de 2005, o Barcelona foi ao Santiago Bernabéu e venceu o Real Madrid por 3 a 0. Ronaldinho marcou duas vezes, aos 59 e aos 77 minutos, ambas cortando da esquerda para o meio, e Eto'o fez o outro. Depois do segundo gol, a torcida madridista se levantou e aplaudiu o brasileiro — um gesto raríssimo, que costuma ser reservado a muito poucos adversários na história do estádio.
"Ele é um jogador único. Ele merece plenamente essa Bola de Ouro."
— Frank Rijkaard, técnico do Barcelona, sobre Ronaldinho, em 2006
Pela seleção: o gol de falta e o título de 2002
Ronaldinho estreou pela seleção em 26 de junho de 1999 e foi campeão da Copa América do mesmo ano. O grande momento, porém, veio na Copa de 2002, em uma partida que o Brasil jogou com um a menos durante boa parte do segundo tempo.
| Copa | Gols de Ronaldinho | O que ficou |
|---|---|---|
| 2002 (Coreia do Sul e Japão) | 2 | Campeão do mundo, titular na final contra a Alemanha. Nas quartas, contra a Inglaterra, deu o passe para o gol de empate de Rivaldo e fez o da virada, de falta, antes de ser expulso. |
| 2006 (Alemanha) | 0 | Chegou como melhor do mundo, mas a seleção caiu nas quartas e ele ficou longe do brilho do ano anterior. |
Brasil 2 x 1 Inglaterra, em 2002
Em 21 de junho de 2002, no Estádio de Shizuoka, a Inglaterra abriu o placar com Owen, aos 23 minutos. Aos 45 do primeiro tempo, Ronaldinho deu um passe para Rivaldo igualar o jogo. No começo do segundo tempo, ele cobrou uma falta da direita e a bola passou por cima do goleiro Seaman, adiantado, e entrou. Pouco depois, aos 57 minutos, foi expulso por uma falta em Danny Mills. O Brasil segurou o resultado com um jogador a menos e foi à semifinal, a caminho do penta.
Em 2005, Ronaldinho foi também campeão da Copa das Confederações, o último grande título que ele ganhou pela seleção.
Atlético-MG: a Libertadores de 2013
Depois de passar por Milan e Flamengo, Ronaldinho chegou ao Atlético-MG em 2012 e viveu ali o último grande momento da carreira. O Galo ganhou a primeira Libertadores de sua história em 2013, batendo o Olimpia, do Paraguai, na final. Na ida, em Assunção, o time perdeu por 2 a 0; na volta, no Mineirão, em 24 de julho, devolveu o placar na prorrogação e venceu nos pênaltis por 4 a 3. Ronaldinho foi eleito o melhor jogador da América do Sul naquele ano.
"Ronaldinho é a alegria do futebol em pessoa."
— Roberto Carlos, sobre Ronaldinho (tradução livre)
Longevidade e despedida
Ronaldinho jogou em alto nível por mais de 15 anos, de Grêmio a Querétaro, passando por três continentes. A primeira aposentadoria oficial foi anunciada em 16 de janeiro de 2018, depois de uma carreira em que a técnica sempre andou junto com o prazer de jogar.
"Por anos, não ganhamos nada no Barcelona; então chegou Ronaldinho. Ele é o jogador mais importante da nossa história."
— Carles Puyol, sobre Ronaldinho (tradução livre)
O Barcelona seguiu ganhando depois dele, mas o torcedor sabe quem começou tudo. Para o resto do mundo, Ronaldinho foi, durante pelo menos três anos, o jogador mais divertido de se ver jogar.
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