
Ronaldo Fenômeno: 414 gols, dois títulos mundiais e a maior redenção do futebol
414 gols em 616 jogos, 62 pela seleção, 15 em Copas do Mundo, o pentacampeonato de 2002 e passagens por sete clubes, de Cruzeiro e PSV a Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan e Corinthians. O perfil do atacante que redefiniu o que um centroavante podia fazer — e que ressurgiu de duas lesões gravíssimas.
Poucos jogadores na história foram tão decisivos quanto Ronaldo Luís Nazário de Lima. Rápido como um ponta, forte como um zagueiro e frio diante do goleiro como poucos, o Fenômeno elevou o padrão do que se esperava de um centroavante. Teve a carreira mais brilhante e também uma das mais castigadas por lesões: rompeu os tendões do joelho duas vezes em cinco meses, quase perdeu a Copa de 1998 depois de uma convulsão horas antes da final e, mesmo assim, voltou para ser artilheiro e campeão do mundo em 2002. Este é o perfil de um jogador que parecia sempre estar um passo à frente da própria lenda.
Os números da carreira
| Marca | Número |
|---|---|
| Jogos na carreira | 616 |
| Gols na carreira | 414 |
| Jogos pela seleção | 98 |
| Gols pela seleção | 62 |
| Gols em Copas do Mundo | 15 |
| Gols de amistosos pela seleção | 23 |
| Gols de Copa América pela seleção | 10 |
| Gols em Eliminatórias pela seleção | 10 |
| Gols de Copa das Confederações pela seleção | 4 |
| Assistências no Real Madrid | 25 em 177 jogos |
| Assistências na Inter de Milão | 8 em 99 jogos |
Na seleção, Ronaldo é o terceiro maior artilheiro da história, atrás de Neymar e Pelé, e o maior artilheiro brasileiro em Copas do Mundo. As assistências nunca foram o forte do registro estatístico da época — ele era, antes de tudo, o homem que finalizava a jogada —, e o levantamento disponível cobre apenas Real Madrid e Inter.
Os clubes: sete camisas, uma média absurda
| Clube | Período | Jogos | Gols | Títulos |
|---|---|---|---|---|
| Cruzeiro | 1993–1994 | 47 | 44 | Copa do Brasil 1993 e Campeonato Mineiro 1994 |
| PSV | 1994–1996 | 57 | 54 | Copa da Holanda 1995–96 |
| Barcelona | 1996–1997 | 49 | 47 | Recopa Europeia, Copa do Rei 1996–97 e Supercopa da Espanha 1996 |
| Inter de Milão | 1997–2002 | 99 | 59 | Copa da UEFA 1997–98 |
| Real Madrid | 2002–2007 | 177 | 104 | Copa Intercontinental 2002, La Liga 2002–03 e Supercopa da Espanha 2003 |
| Milan | 2007–2008 | 20 | 9 | — |
| Corinthians | 2009–2011 | 69 | 35 | Campeonato Paulista e Copa do Brasil 2009 |
- 1993: 20 gols
- 1994: 24 gols
- 94/95: 35 gols
- 95/96: 19 gols
- 96/97: 47 gols
- 97/98: 34 gols
- 98/99: 15 gols
- 99/00: 3 gols
- 00/01: 0 gols
- 01/02: 7 gols
- 02/03: 30 gols
- 03/04: 31 gols
- 04/05: 24 gols
- 05/06: 15 gols
- 06/07: 11 gols
- 07/08: 2 gols
- 2009: 23 gols
- 2010: 12 gols
- 2011: 0 gols
O gráfico mostra a curva da carreira: a explosão no Cruzeiro e no PSV, o pico em uma única temporada de Barcelona, o tombo causado pelas lesões na Inter e a segunda vida no Real Madrid, onde viveu seus anos mais produtivos depois da recuperação.
Do Cruzeiro ao PSV
Ronaldo despontou no Cruzeiro, onde levou a Copa do Brasil de 1993 e o Mineiro do ano seguinte. Ainda adolescente, foi para o PSV, da Holanda, em 1994, e conquistou a Copa da Holanda de 1995–96. Aos 17 anos já estava na seleção que foi campeã do mundo em 1994 — como reserva, sem entrar em campo.
Barcelona e Inter: o auge do jogador de 20 anos
Em apenas uma temporada no Barcelona, 1996–1997, Ronaldo foi artilheiro do campeonato espanhol e da Europa, com a Chuteira de Ouro, e levou a Recopa Europeia, a Copa do Rei e a Supercopa da Espanha. Ainda em 1997, foi eleito pela FIFA o melhor jogador do mundo pela segunda vez seguida e ganhou a Bola de Ouro da France Football.
Na Inter de Milão, de 1997 a 2002, venceu a Copa da UEFA de 1997–98, numa passagem partida ao meio pelas lesões. Em 21 de novembro de 1999, contra o Lecce, rompeu o tendão do joelho; ao voltar, em abril de 2000, sofreu nova ruptura completa. A recuperação foi longa.
Real Madrid, Milan e Corinthians: a segunda vida
Campeão do mundo, Ronaldo foi para o Real Madrid dos Galácticos em 2002 e fez ali a maior parte dos seus gols. Foi campeão da Copa Intercontinental de 2002, de La Liga em 2002–03 e da Supercopa da Espanha em 2003, e eleito melhor do mundo pela terceira vez, em 2002, ano em que também levou a Bola de Ouro da France Football pela segunda vez. Depois, passou pelo Milan e voltou ao Brasil para vestir a camisa do Corinthians, onde ganhou o Paulista e a Copa do Brasil de 2009. Anunciou a aposentadoria em fevereiro de 2011, aos 34 anos, citando dores crônicas e um quadro de hipotireoidismo.
"Foi o melhor de sua geração. Diante do goleiro era um fenômeno, os que o viram jogar sabem do que estou falando."
— Zinedine Zidane, sobre Ronaldo
Quatro Copas do Mundo
| Copa | Gols de Ronaldo | O que ficou |
|---|---|---|
| 1994 (EUA) | — | Aos 17 anos, foi reserva e não entrou em campo. Brasil campeão: o tetra. |
| 1998 (França) | 4 | Bola de Ouro do torneio. Gols em Marrocos, Chile (2) e Holanda. Teve uma convulsão horas antes da final, jogou e o Brasil perdeu por 3 a 0 para a França. |
| 2002 (Coreia do Sul e Japão) | 8 | Artilheiro e campeão: o penta. Fez dois gols na final contra a Alemanha, aos 67 e aos 79 minutos, na vitória por 2 a 0. |
| 2006 (Alemanha) | 3 | Dois gols no Japão e um em Gana, que o fez superar Gerd Müller como maior artilheiro de Copas. O Brasil caiu nas quartas, para a França. |
A Copa de 1998 é o capítulo mais discutido da carreira. Ronaldo vivia o auge, com dois prêmios de melhor do mundo, mas teve uma convulsão no quarto da concentração, pouco antes da final em Paris. Foi liberado pelos médicos para atuar e o Brasil perdeu. Quatro anos depois, depois de duas lesões graves e de dúvidas sobre se ainda jogaria em alto nível, ele voltou para ser o artilheiro do Mundial — o primeiro gol da final, contra a Alemanha, saiu depois de uma falha do goleiro Oliver Kahn.
Em 2006, o gol em Gana, em 27 de junho, o levou a 15 gols em Copas e à frente de Gerd Müller, que tinha 14. A marca durou até 2014, quando o alemão Miroslav Klose chegou a 16 gols, justamente na goleada de 7 a 1 sobre o Brasil. Hoje, Ronaldo aparece atrás de Klose, Messi e Mbappé no ranking histórico, mas segue como o maior artilheiro brasileiro em Mundiais.
"De todos os atacantes que eu já vi, ele foi o melhor. Era inacreditável."
— Lionel Messi, sobre Ronaldo
Ronaldo Fenômeno é, para quem o viu jogar, a prova de que o talento pode derrubar o próprio corpo e ainda assim se levantar. Campeão do mundo em 1994 e 2002 e três vezes melhor jogador do planeta, deixou uma história que o próprio futebol ainda tenta alcançar.
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